A safra de verão não está sendo como a União Europeia esperava. O calor intenso, a seca e a perda de umidade do solo derrubaram a produtividade, e o volume de produtos que vai para o armazém neste período do ano será menor. Os europeus entendem que esse não foi um fato isolado e que, a partir de agora, os riscos climáticos devem ser estudados e levados mais a sério. E isso afeta o Brasil.
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Entre as estratégias que estão sendo desenvolvidas está a busca de resiliência nos setores de grãos, pecuária e proteínas vegetais. No centro desses desafios estão a preservação hídrica e o melhor uso da água no processo produtivo. Para atingir os objetivos, uma das metas é a adoção de programas de suporte aos agricultores, permitindo um controle maior da produção da região, aumento de produtividade e redução das importações. Aí entra o Brasil, uma vez que o país é grande participante nos setores de proteínas vegetal e animal no continente europeu.
Na avaliação dos europeus, os riscos climáticos incluem de calor e seca a geadas tardias, chuvas intensas e inundações durante o processo produtivo, tanto na área de grãos como na pecuária. Uma das primeiras preocupações é com a preservação de água. Até 2030, a demanda global excederá os recursos hídricos disponíveis em 40%, segundo avaliação dos técnicos da União Europeia.
Entre os projetos estão a restauração do ciclo da água, da nascente ao mar, e o fornecimento de orientações aos produtores sobre o uso adequado do recurso. O objetivo é melhorar a eficiência do uso da água em pelo menos 10% até 2030. A execução dessa meta será por meio de investimentos públicos, digitalização, pesquisas e uso de inteligência artificial.
Na pecuária, um setor que tem valor de produção de € 238 bilhões por ano dentro da porteira e que mobiliza 7 milhões de pessoas em toda a cadeia, os desafios são manter a sustentabilidade, melhorar a oferta de carne com a redução de animais, enfrentar os custos maiores e diminuir as importações no setor, inclusive o de farelo de soja.
Entre as prioridades elencadas estão desenvolver um sistema financeiro de incentivos ao produtor, garantir financiamento, incentivar a adoção de tecnologia, apoiar a bioeconomia circular e reduzir a dependência externa. São medidas que, na avaliação da Comunidade Europeia, reforçam a competitividade e tornam a atividade mais sustentável.
Uma redução de importações e maior produção interna passam por mais incentivos ao produtor. O setor pecuário utiliza 74 milhões de toneladas de produtos vegetais por ano como ração, e 70% desse volume vêm de cereais e de oleaginosas. O objetivo é elevar a participação de produtos da União Europeia dos atuais 26% para 35% até 2035.
Os dados mais recentes da safra deste ano não são muito animadores para os europeus. A produção de milho recua 8% em relação à média dos últimos cinco anos; a de beterraba, 11%; a de batata, 7%, e a de soja, 15%. A colheita de verão ficou vulnerável em várias regiões, mas, em algumas, nem será realizada.
Os dados da Comissão Europeia indicam uma safra de grãos de 274 milhões de toneladas em 2026/27 nos 27 países do bloco. A produção de trigo será de 126 milhões; a de milho, 59,9 milhões, e a de cevada, 56 milhões. Esses dados se referem a julho, e os novos indicadores, quando divulgados, deverão apontar para novas quedas.
Fonte ==> Folha SP


