16 de agosto de 2026

Dora Kramer: Confraria de interesses se une a Lula – 15/08/2026 – Dora Kramer

Dois homens de terno estão em pé em um ambiente formal com fundo de painéis de madeira escura. O homem à esquerda sorri e faz sinal de positivo com as duas mãos, enquanto o homem à direita, de cabelos brancos e barba, aplaude olhando para o lado. Três pessoas estão parcialmente visíveis em primeiro plano, de costas.

Gilberto Kassab (PSD) revelou um segredo de polichinelo quando disse que “o centrão está com Lula“. Quem não sabia disso passou a desconfiar a partir das digitais do Palácio do Planalto nas declarações de neutralidade de partidos como PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e MDB.

A certeza veio pela voz do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), na saída do segundo encontro entre Luiz Inácio da Silva (PT) e Davi Alcolumbre (União) depois de três meses sem se falarem.

“O Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição de Lula”, disse Guimarães, dando mais destaque ao apoio eleitoral que ao efeito que a retomada da convivência entre os presidentes da República e do Congresso venha a ter sobre o bom andamento dos trabalhos legislativos.

Dois dias antes, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), se declarara em igual sintonia quanto à recondução de Lula para o quarto mandato.

Kassab abriu o jogo. Deu sujeito, verbo e predicado ao enunciado do roteiro que o mundo da política localizado do centro à direita vinha escrevendo sobre o futuro da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) com alguma discrição: não dar camisa à família para os planos de 2030.

E não é só o centrão. Há parte do Supremo Tribunal Federal também na jogada, como se viu com nitidez na iniciativa dos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin de atuar como políticos na reaproximação entre Lula e Alcolumbre.

Uma combinação de interesses para 2027. A aposta de contar com um resultado das urnas ainda indefinido pode ser arriscada, mas é o que fazem esses personagens em busca de garantias recíprocas.

Os presidentes da Câmara e do Senado colocam suas fichas no apoio de Lula reeleito para a recondução aos cargos a partir de fevereiro; os ministros do STF enxergam aí chance de se manter a barreira a processos de impeachments.

Já o centrão teve boa vida, não acredita em promessas de “guerra” contra emendas e não vê razão para mudar.



Fonte ==> Folha SP

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