Com experiência em cirurgia robótica, uro-oncologia e gestão pública da saúde, especialista explica as diferenças entre HIFU e prostatectomia radical e alerta contra promessas de tratamentos universais
O avanço dos exames de imagem e das técnicas de diagnóstico vem transformando a maneira como o câncer de próstata é identificado e tratado. Tumores menores e em estágios iniciais passaram a ser detectados com maior frequência, criando um novo desafio para médicos e pacientes: escolher uma abordagem que ofereça segurança oncológica sem desconsiderar seus possíveis efeitos sobre a continência urinária, a função sexual e a qualidade de vida.
Em meio a esse cenário, o urologista e uropediatra Dr. Heder Murari Borba chama atenção para a importância de substituir comparações simplistas por decisões clínicas individualizadas. Com atuação em Brasília e Goiânia, experiência em cirurgia urológica robótica e uma trajetória que também inclui posições estratégicas na gestão pública da saúde, o médico defende que a escolha do tratamento deve considerar as características do tumor, as condições clínicas e as prioridades de cada paciente.
Em uma análise dedicada às diferenças entre o ultrassom focalizado de alta intensidade, conhecido como HIFU, e a prostatectomia radical assistida por robô, Dr. Heder apresenta uma visão equilibrada sobre duas tecnologias que ocupam espaços distintos no enfrentamento ao câncer de próstata localizado.
A discussão ganhou ainda mais relevância em 2026, com a regulamentação pelo Conselho Federal de Medicina da indicação, realização e acompanhamento do HIFU e da crioterapia em casos selecionados de câncer de próstata localizado. O reconhecimento ampliou as possibilidades terapêuticas disponíveis no Brasil, mas, segundo o especialista, não deve ser interpretado como uma substituição automática dos tratamentos já consolidados.
“O HIFU não substitui a prostatectomia radical robótica como tratamento-padrão do câncer de próstata localizado de risco intermediário e alto. Ele se soma ao arsenal terapêutico como alternativa para um perfil bem definido de paciente”, explica.
Uma trajetória entre medicina, tecnologia e gestão da saúde
A autoridade com que Dr. Heder aborda o tema resulta de uma carreira construída em diferentes dimensões da medicina.
Graduado pela Universidade Federal de Goiás, o médico possui formação em cirurgia geral e urologia, além de experiência nas áreas de uro-oncologia, transplante renal, cirurgia minimamente invasiva e cirurgia robótica. Também realizou capacitação relacionada à organização e procura de órgãos e tecidos para transplantes no Hospital Clínic de Barcelona e formação em cirurgia urológica robótica no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Sua trajetória ultrapassa o ambiente dos consultórios e centros cirúrgicos. Entre 2011 e 2015, Dr. Heder exerceu a função de coordenador-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, participando de discussões relacionadas à ampliação da capacidade de transplantes, organização da rede nacional e incorporação de procedimentos ao Sistema Único de Saúde.
Atualmente, atua como urologista e uropediatra no Hospital Israelita Albert Einstein Goiânia e em consultórios de Brasília e Goiânia. Essa combinação entre prática clínica, cirurgia, avaliação de tecnologias e gestão pública oferece ao médico uma perspectiva abrangente sobre inovação em saúde, desde sua fundamentação científica até sua aplicação no atendimento ao paciente.

Dr. Heder Murari Borba
HIFU: precisão para tratar uma área delimitada
O HIFU utiliza feixes de ultrassom de alta intensidade para gerar calor e destruir uma área tumoral previamente localizada na próstata. O procedimento é realizado com uma sonda transretal e depende de exames capazes de identificar com precisão o foco da doença, principalmente a ressonância magnética multiparamétrica e a biópsia com fusão de imagens.
Diferentemente da cirurgia radical, a terapia focal busca tratar somente a região da próstata onde está localizada a lesão considerada clinicamente relevante. O objetivo é preservar o restante da glândula e reduzir o impacto sobre estruturas relacionadas à continência urinária e à função erétil.
Por não exigir incisões cirúrgicas, o HIFU geralmente proporciona recuperação mais rápida, menor dor no período imediatamente posterior ao procedimento e retorno antecipado às atividades cotidianas. Essas características despertam o interesse de homens diagnosticados com tumores pequenos que desejam reduzir os efeitos funcionais do tratamento.
Dr. Heder pondera, entretanto, que a técnica não é adequada para todos os casos. O câncer de próstata pode ser multifocal, apresentando pequenos focos em diferentes partes da glândula, alguns deles não identificados inicialmente pelos exames. Ao tratar apenas a lesão principal, existe a possibilidade de outras áreas tumorais permanecerem no órgão.
Por esse motivo, pacientes submetidos à terapia focal precisam aceitar um acompanhamento mais rigoroso, com dosagens seriadas de PSA, novas ressonâncias e, em algumas situações, biópsias de controle. Também devem compreender a possibilidade de um segundo tratamento focal ou de uma cirurgia de resgate no futuro.
Cirurgia robótica permanece como referência oncológica
A prostatectomia radical assistida por robô consiste na remoção completa da próstata e, quando necessário, dos linfonodos pélvicos. A técnica representa uma evolução das cirurgias aberta e laparoscópica, oferecendo visão tridimensional ampliada, instrumentos articulados e maior precisão nos movimentos realizados pelo cirurgião.
Esses recursos possibilitam dissecções mais delicadas, menor sangramento, períodos mais curtos de internação e uma recuperação geralmente mais rápida quando comparada à cirurgia aberta.
Segundo a análise do Dr. Heder, a cirurgia robótica continua sendo a principal referência para o tratamento curativo do câncer de próstata localizado, sobretudo nos tumores de risco intermediário desfavorável e alto. Ao remover toda a glândula, a técnica também retira eventuais focos tumorais que não tenham sido identificados nos exames anteriores.
Os resultados funcionais da cirurgia evoluíram significativamente com o aprimoramento das técnicas de preservação anatômica e dos feixes neurovasculares, além da adoção precoce da fisioterapia do assoalho pélvico. Apesar desses avanços, a recuperação da continência urinária e da função erétil continua variando conforme a idade do paciente, suas condições anteriores à operação e a extensão do tumor.
Para o especialista, a comunicação médica deve apresentar essas possibilidades de maneira realista, sem prometer ausência completa de efeitos colaterais.
Tecnologias diferentes para pacientes diferentes
Um dos principais pontos defendidos por Dr. Heder é que HIFU e cirurgia robótica não disputam necessariamente o mesmo paciente.
O perfil mais compatível com a terapia focal é o do homem com câncer de próstata de baixo risco ou risco intermediário favorável, com uma lesão única ou uma lesão principal claramente delimitada na ressonância, PSA controlado e confirmação por biópsia com fusão de imagens.
Além dos critérios oncológicos, devem ser consideradas a idade, a expectativa de vida, as comorbidades e a capacidade de cumprir um protocolo de acompanhamento rigoroso.
Tumores de alto risco, doença multifocal extensa, próstatas muito volumosas ou dificuldades para manter o seguimento necessário podem tornar a cirurgia radical ou a radioterapia opções mais apropriadas.
“A decisão não é entre uma técnica melhor e outra pior. Ela depende do estágio e da agressividade do tumor, da idade, das condições clínicas, da função urinária e sexual anterior e das prioridades de cada homem diante do diagnóstico”, ressalta o médico.
Experiência da equipe influencia os resultados
Para Dr. Heder, um dos fatores mais subestimados na discussão sobre terapia focal é a experiência do médico e do centro responsável pelo procedimento.
Os melhores resultados publicados sobre HIFU costumam vir de serviços com grande volume de atendimentos, radiologistas dedicados à avaliação da próstata, equipamentos adequados e equipes experientes em biópsias com fusão de imagens. Essa estrutura ainda não está distribuída de maneira uniforme pelo Brasil.
A indicação inadequada ou uma localização imprecisa da lesão pode comprometer o resultado mesmo quando a tecnologia utilizada é avançada. Por isso, o paciente deve procurar informações sobre a experiência da equipe, o número de procedimentos já realizados, o protocolo de acompanhamento e os resultados obtidos pelo serviço.
A mesma lógica se aplica à cirurgia robótica: tecnologia, isoladamente, não substitui formação, experiência e domínio técnico do cirurgião.
Inovação com responsabilidade
Novas ferramentas de inteligência artificial e sistemas de fusão de imagens em tempo real estão sendo estudados para aumentar a precisão do HIFU. A possibilidade de sobrepor imagens da ressonância ao ultrassom durante o procedimento pode ajudar na localização do tumor e reduzir margens de erro.
Dr. Heder, no entanto, recomenda cautela diante de anúncios sobre tecnologias ainda em validação. Resultados promissores precisam ser confirmados por estudos e acompanhamentos de longo prazo antes de serem apresentados como práticas consolidadas.
Esse posicionamento revela uma característica central de sua atuação: a defesa da inovação acompanhada de responsabilidade científica. Em vez de promover uma técnica como solução universal, o urologista procura esclarecer o lugar que cada tratamento ocupa e quais pacientes podem realmente se beneficiar dele.
Informação também faz parte do tratamento
Para quem recebe o diagnóstico de câncer de próstata, o volume de informações, as preocupações sobre possíveis sequelas e a urgência para escolher um tratamento podem tornar a decisão especialmente difícil.
Nesse momento, o papel do especialista não se limita à realização do procedimento. Também envolve traduzir evidências, explicar riscos, reconhecer incertezas e construir uma decisão compartilhada com o paciente.
Ao unir experiência clínica, formação em cirurgia robótica, atuação em gestão da saúde e uma comunicação direcionada ao público, Dr. Heder Murari Borba consolida uma atuação voltada à medicina de precisão e à escolha consciente do tratamento.
Sua análise deixa uma orientação fundamental: a pergunta mais importante não é qual tecnologia parece mais moderna, mas qual abordagem oferece a melhor relação entre controle da doença, segurança e qualidade de vida para cada paciente.
Mais informações sobre o trabalho do especialista podem ser encontradas em seu perfil profissional no Instagram: @drhederurologia.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou indicação médica individualizada.



