7 de agosto de 2026

Eleições de outubro: o que está em jogo a partir de 2027

O tema que hoje envolve todos os espaços de conversa, neste país, diz respeito às eleições de outubro. 

Com certeza, neste assunto precisamos nos posicionar e trabalhar pelo melhor para a maioria, desde nossa perspectiva e pensando no que podemos esperar a partir de 2027. E teremos que fazer isso tendo presente que nestas eleições as opções de todos/as dependerão da consciência e da capacidade de leitura/interpretação de uma realidade que nos chega distorcida, majoritariamente alterada por instrumentos a serviço dos golpistas locais e seus aliados externos. Para piorar, eles já dominam a maior parte do continente e o Brasil se coloca como a última barreira à consolidação de uma nova era de colonialismo e pirataria imperiais. 

Neste momento uma parte importante do que para eles é uma guerra de conquistas, acontece nos meios de comunicação de massa. E estamos em desvantagem. As grandes mídias e os gigantes do universo digital estão trabalhando, ao mesmo tempo, pela generalização de sentimentos de impotência e medo -em relação a inimigos imaginários – e pela ignorância em relação a problemas reais e seus agentes causais. Com a transformação de frustrações em ódio, com a criação de mitos e de fantasias diversas, vemos -em toda América Latina- vastos contingentes populacionais capturados por deformações políticas que os orientam no rumo oposto à suas necessidades reais, e contra aqueles esforços de indivíduos e organizações sociais comprometidos com a recuperação da esperança e da consciência solidária.

A alienação em relação a isso ameaça a autonomia dos povos e suas regras de civilidade, bem como tudo que possa caber na definição de “não-eu”, ou de “não-meu”, desde o ponto de vista dos golpistas locais e seus aliados internacionais. E estes são apenas alguns dos sintomas alarmantes de doença social que pretende e talvez consiga acabar com a democracia. 

Se trata de algo que ameaça simultaneamente a muitos países, operando com interfaces e formas de ação que se combinam, em sinergias negativas que prosperam em função da eficácia dos seus vetores e da alienação de suas vítimas. 

Uma espécie de mancha corruptora que escorre sobre nossos territórios, em combinação de males que destroem as relações humanas de maneira similar ao que acontece com a falência do organismo, por partes, em indivíduos acometidos por leucemias. 

Como uma espécie de câncer, com suas causas, seus vetores e suas consequências, aqueles mecanismos midiáticos construtores da alienação e da ignorância estão erodindo as conexões, os tecidos sociais, e todas as bases identitárias que nos definem.

Uma vez que se trata de algo que vem sendo produzido e alimentado por interesses que atuam em favor da expansão da injustiça e da desconstrução da solidariedade, será no rastro do acúmulo de recursos subtraídos de muitos, por aqueles poucos que se pretendem beneficiar disso, que encontraremos os argumentos e as forças de que necessitamos para cortar este mal pela raiz. 

Portanto, e embora com tempo escasso pela frente, será a partir de trabalhos de formação, de divulgação e de comunicação efetiva que poderemos alcançar uma generalização de compreensões capaz de levar milhões a repetir, sem parar: ali estão os rastros dos grandes criminosos. Em seus roubos, suas festas milionárias, suas mansões, suas igrejas, suas rachadinhas, suas malas de dinheiro, seus acúmulos inexplicáveis de riquezas. Nos favorecimentos indevidos, no conluio com matadores de aluguel, nas homenagens a ladrões, torturadores e estupradores. Nos corruptos amigões da vida toda, que operam em equipe, tramando pacotes de veneno, assassinatos de políticos, impeachments de juízes, liberdade de criminosos condenados, e escravização geral da república. 

É para agir contra nós que eles aí estão, posando de pessoas de bem e pedindo votos que servirão para engrossar o poder das bancadas do boi, da bala, da bíblia, do lobby e dos entreguistas que hoje renovam aquele antigo boco de golpistas e vendilhões da pátria enfrentados pelo nacionalista Leonel Brizola. 

Simples assim: para estas eleições convergem forças que nos colocarão diante da contenção ou do reforço a processos de discriminação predatória sempre postados contra o desenvolvimento emancipatório de nossa gente e nosso país. 

Por isso, do resultado destas eleições emergirá a liquidação ou a recuperação de forças em defesa da democracia, com o fortalecimento ou com a fragilização ou mesmo com o apagamento de instituições e comportamentos orientados pelo dever de respeito à igualdade de oportunidades, direitos, credos, culturas e modos de vida. 

Se não atentarmos para isso, agora, em 2027 o país poderá estar refém de nova era colonial, onde deixaremos de ser o que somos. 

Felizmente sabemos o que nos ameaça, bem como quem são e onde estão aqueles que precisam ser desmascarados e contidos antes que consigam naturalizar (entre nós)  insanidades como aquelas gritadas em português pelos bolsonaristas, em espanhol pelo presidente da Argentina e em tantas outras línguas pelos defensores dos massacres em Gaza, da asfixia genocida que ocorre em Cuba, da sangria de recursos venezuelanos e das ameaças sobre todo os povos deste continente, com a adesão (pretendida por Flávio Bolsonaro e seus asseclas)  do Brasil ao Escudo das Américas.

Aí estão as tentativas de minimização do significado, das raízes e dos mecanismos de corrupção envolvendo o escândalo do Banco Master, bem como as emendas parlamentares impositivas, as afrontas à soberania do Brasil e tantos outros sinais de um golpe em andamento, que conta com nossa apatia, para prosperar. 

Apenas para ilustrar, considere-se que a consciência e os votos que definirão o resultado destas eleições dependem de uma avaliação crítica massiva, das informações veiculadas pelas grandes mídias.

No entanto, elas se recusam a ajudar o povo a entender a importância e o que vem sendo feito em favor da formação e da educação populares, para o futuro de todos/as. Elas falam do sítio do pedalinho, do triplex, e até do filho do Lula, entre outras coisas que a rigor nada informam, e ainda escondem o fato de que em seus três governos o número de brasileiros com curso superior foi multiplicado por quatro, comparativamente ao que todos os outros governos fizeram, ao longo da história deste país. A respeito disso, entre outros pontos, todos/as deveriam acompanhar entrevista do Chico Pinheiro, com Fernando Haddad, aquele que a grande mídia entendia ser “uma escolha difícil”, comparativamente ao presidiário Jair Bolsonaro, que precisaria ser responsabilizado por ações e omissões que determinaram a morte de talvez 2 milhões de brasileiros, durante a Covid. 

Ali se rememora entre outros pontos relativos ao passado e ao futuro do Brasil, aqueles avanços que só obtivemos com o operário Luiz Inácio Lula da Silva, na presidência deste país. Recordes, em abertura de mercados, implantação de escolas, cursos e universidades federais. A saída do mapa da fome, a recuperação da credibilidade internacional, volumes inéditos de recursos para o desenvolvimento e proteção da agricultura, da saúde, da ciência e tecnologias nacionais …. E isso é apenas parte do que precisa ser incorporado, divulgado e repetido neste período eleitoral, em todos lugares e espaços, por nós, brasileiros e brasileiras comprometidos com a proteção de nosso país e com o futuro de (todos os) nossos filhos, para que sejam retirados dos espaços de poder todos/as aqueles/as que criminosamente ou por tolice e estupidez, se prestam a trabalhar contra isso.

É momento de ir as ruas, fazer visitas, conversar olhando nos olhos e pedir votos em defesa da democracia e seus aliados, para dar início à recuperação da civilidade, aqui e em outros países da América Latina.

Fazendo isso, venceremos. E só então, começará a nova fase de nossa luta pela independência, soberania e desenvolvimento empoderado do Brasil e dos povos que aqui habitam.

Uma música que articula o processo eleitoral à dor de perdas e à importância da arte e da poesia, na luta contra a ditadura – de Nei Lisboa – o futuro do exterminador.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.



Fonte ==> Brasil de Fato

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