Na semana mais carregada, até agora, da agenda diplomática de Xi Jinping em 2026, o presidente e secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh) recebeu nesta quarta-feira (15) o presidente vietnamita To Lam em visita de Estado e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em reunião bilateral, ambos no Grande Salão do Povo, em Pequim. Ontem, no mesmo lugar, Xi recebeu o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e mais cedo o príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan.
Diplomacia de Estado e partidária
Além de presidente da República Socialista do Vietnã, To Lam também é secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã (PCV). Sua visita à China foi a primeira viagem ao exterior desde que assumiu a presidência. Na reunião desta quarta, Xi disse ao líder que sua vinda à China “demonstra a grande importância que você atribui ao desenvolvimento das relações sino-vietnamitas”.
O encontro foi diferente da maioria das recepções de presidentes e chefes de Estado na China: além da dimensão estatal convencional, a reunião também foi partidária — ambos líderes são secretários-gerais de seus respectivos partidos. Além das bandeiras dos países, as fotos oficiais incluíram as bandeiras partidárias durante a cerimônia de boas-vindas. A prática é adotada pela China em visitas de líderes de Estados socialistas.
Os dois presidentes concordaram em “aproveitar plenamente o papel especial dos canais partidários” e em executar “o novo plano de cooperação entre o PCCh e o PCV”, nova versão do documento finalizado no ano passado (Plano de Cooperação entre o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da China (2021-2025). O acordo prevê a continuidade e o aprofundamento de mecanismos como os seminários teóricos bienais, programas conjuntos de capacitação de quadros e intercâmbios entre departamentos centrais e governos locais.
Durante a reunião, Xi reafirmou que “a liderança do partido é a característica mais essencial do socialismo” e que “defender o sistema socialista e o poder do partido comunista representa o maior interesse estratégico comum dos dois partidos”.
Após as conversas, as delegações assinaram documentos bilaterais de cooperação em onze áreas: relações partidárias, segurança pública, justiça, economia, cadeias produtivas e de abastecimento, cooperação aduaneira, ciência e tecnologia, bem-estar social, desenvolvimento de recursos humanos, mídia e cooperação entre regiões.
Entre as prioridades econômicas, Xi destacou o interesse em acelerar a interconexão de infraestrutura, com ênfase em ferrovias, e a cooperação em áreas como inteligência artificial, semicondutores e internet das coisas. A China também sinalizou abertura para a ampliação da entrada de produtos vietnamitas no mercado chinês. Os líderes anunciaram o lançamento do “Ano de Cooperação Turística China-Vietnã 2026-2027”.
Encontro com jovens: a “Viagem de Estudos Vermelha”
Pela manhã, Xi e To Lam receberam representantes da juventude dos dois países, que participam do projeto “Viagem de Estudos Vermelha”, lançado durante a visita de Xi ao Vietnã em abril de 2025. Desde então, segundo a agência de notícias Xinhua, mais de 200 jovens vietnamitas percorreram locais históricos ligados à revolução e à amizade sino-vietnamita na China.
Xi disse que recebeu cartas em mandarim de estudantes de escolas de Hanói que participaram do programa e expressaram o compromisso de se tornarem “herdeiros e difusores da amizade sino-vietnamita”.
To Lam descreveu os jovens como “ponte importante” entre os dois partidos e países, e os estimulou a aprofundar seus conhecimentos políticos e científicos a serviço do desenvolvimento de seus respectivos países.
Xi recebe Lavrov: 30 anos de parceria estratégica
Na mesma manhã, Xi recebeu Lavrov em reunião separada no Grande Salão do Povo. Este ano, os dois países celebram o 30º aniversário do estabelecimento da parceria de cooperação estratégica sino-russa e o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação entre China e Rússia, assinado em 2001.
Xi disse a Lavrov que “a estabilidade e a certeza da relação sino-russa são especialmente preciosas” diante da turbulência internacional atual. O líder chinês defendeu que os dois países mantenham “elevada clareza estratégica” e atuem como “grandes potências e membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU”, em defesa de uma ordem multipolar.
Xi instou os dois países a aprofundarem a cooperação multilateral no âmbito da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), do Brics e da ONU, e a “trabalharem juntos para revigorar a autoridade e a vitalidade das Nações Unidas”.
Lavrov, por sua vez, avaliou que a relação bilateral “demonstra alta resiliência em ambiente externo complexo”, com crescimento do comércio e dos investimentos.
Em coletiva de imprensa ao concluir a viagem na China, Lavrov afirmou à agência russa Interfax que os Estados Unidos “não escondem” que querem transferir para a Europa “a principal responsabilidade pela contenção da Rússia, para ter as mãos livres na frente chinesa”.
Lavrov disse que Moscou e Pequim defendem a continuação das negociações sobre o Irã e confirmou que Putin visitará a China ainda na primeira metade deste ano.
Fonte ==> Brasil de Fato


