Atabaque, caixa do divino, tambor falante, tambor de crioula, conga, djembê, dunun e tambor alegre são alguns dos diferentes itens expostos no recém-inaugurado acervo do Instituto do Tambor, na Vila Sônia, zona oeste da cidade de São Paulo.
Segundo o fundador do instituto, Luiz Poeira, o projeto nasceu de seu desejo de se aprofundar nos instrumentos de percussão.
Além de expor instrumentos afro-brasileiros, indígenas e africanos, o instituto oferece ao visitante informações sobre a produção de peças e a cultura de alguns dos elementos apresentados. “Não é em todo lugar que explicam sobre os saberes da tradição”, diz Poeira.
Os instrumentos de percussão têm um papel fundamental em rituais e práticas sociais das culturas afro-brasileiras e indígenas.
Também há no acervo outros instrumentos percussivos, como agbê (conhecido como xequerê), pandeirão e maracá, e instrumentos africanos de cordas, como kora e bolon.
Aos 23 anos, após se envolver com a capoeira, Luiz Poeira se interessou por produzir instrumentos que fazem parte da tradição, como o berimbau e o caxixe. Conciliava essa confecção com a vida de motoboy e entregador de pizza.
À época, conheceu Rômulo Nardes, mestre na arte dos tambores e figura fundamental para ensinar a Poeira a produção de instrumentos.
Luiz Poeira já tem quase 30 anos dedicados à luteria de percussão. O acervo em exposição reúne peças produzidas pelo próprio instituto e outras cedidas por colecionadores e músicos.
Na tradição da África, explica Poeira, só se considera tambor aquele produzido com tronco escavado. “Na diáspora africana alternativas apareceram, e uma delas foi a tanoaria, que é meu foco hoje.”
A tanoaria é uma técnica de construção do corpo de instrumento de percussão — as caixas de ressonância — com ripas de madeira maciça. Peles de animal ou material sintético fecham um dos lados (ou os dois) do corpo do instrumento, para a partir daí surgir o som percussivo.
Os diferentes tambores do acervo apresentam os variados sistemas de afinação da membrana dos instrumentos, que vão de ferragens (método moderno e mais conhecido) ao milenar uso de cordas.
O Instituto do Tambor foi fundado em 2008 e já recebia visitantes, mas a organização do acervo, com dados informativos sobre as peças expostas, permite um entendimento mais preciso sobre o tema.
Também há salas para rodas de conversa, palestras e aulas de percussão africana e afro-brasileiras. As visitações podem ser agendadas pelo telefone (11) 9308 38482.
Fonte ==> Casa Branca


