Os irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F, compraram a empresa bélica Avibrás, que vinha de anos de dificuldades financeiras e estava em recuperação judicial. O negócio foi comunicado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e os valores não foram divulgados – antes da aquisição, Joesley já tinha participado, ao lado de outros investidores privados, de uma captação de R$ 300 milhões destinada à Avibras, mas não se sabe qual foi o montante exato de sua participação. As informações são da agência EFE.
Com a compra, os Batista acrescentam mais um ramo de atuação ao grupo J&F, que já atuava nas áreas de alimentos (com a JBS), papel e celulose, energia, mineração e finanças. A aquisição da Avibras foi realizada por meio da Globe Investimentos, que também pertence aos irmãos e também já foi usada para investir na Usiminas, segundo o portal G1. A EFE afirma que a decisão de comprar a Avibras foi uma resposta a um pedido do presidente Lula – de quem os irmãos Batista são muito próximos – para que uma das principais empresas bélicas do país pudesse se recuperar.
A Avibras foi fundada em 1961 e logo se tornou uma das principais fabricantes de armas do país, especialmente no setor de mísseis e lançadores de foguetes, com tecnologia também para uso no setor aeroespacial. A empresa exportava seus produtos para vários países, especialmente no Oriente Médio e no Sudeste Asiático; nos anos 80 e 90, países envolvidos na Guerra Irã-Iraque e na Guerra do Golfo usaram armamentos produzidos pela Avibras.
A empresa, no entanto, passou por grave crise financeira, entrou em recuperação judicial em 2022 e, logo depois, enfrentou uma greve com três anos de duração. Na reestruturação, os ativos industriais e tecnológicos ficaram sob a Nova AVB, e a antiga Avibras concentrou os passivos. Com o aporte de R$ 300 milhões realizado em 2025, foi possível reabrir a fábrica de Jacareí (SP), que estava paralisada; quando visitou a unidade, em julho deste ano, Lula afirmou que o governo federal ampliaria suas encomendas à empresa, e o vice-presidente Geraldo Alckmin disse esperar que a recuperação da Avibras permita a reabertura de outra fábrica, em Lorena (SP).
Fonte ==> Gazeta


