15 de setembro de 2026

Lula resiste à crise do STF e Flávio Bolsonaro vai para a defensiva

CartaCapital

O primeiro mês da campanha eleitoral de 2026 foi marcado por dois principais eventos ou tendências. Primeiro, pela tentativa explícita de interferir na disputa presidencial por parte do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo, pela resiliência política e eleitoral do presidente Lula, que, mesmo no pior momento da disputa, manteve a liderança da corrida eleitoral, registrando cerca de 40% dos votos totais e 45% dos válidos em todas as pesquisas entre 7 e 14 de setembro. Vamos analisar esses dois processos.

Primeiro, a tentativa de golpe eleitoral promovida por Mendonça, indicado para o Supremo por Jair Bolsonaro, de quem foi ministro da Justiça. Ele foi sorteado como relator das investigações sobre as fraudes no INSS e sobre os crimes do Banco Master, as quais ele conduziu desde o começo com evidente parcialidade contra o presidente Lula e a favor de Flávio Bolsonaro.

Já na pré-campanha, essas investigações foram marcadas por toda uma dinâmica de vazamentos seletivos de informações sigilosas que envolviam figuras próximas ao presidente Lula e de garantia do segredo de Justiça em tudo que poderia alcançar o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Outra evidência da parcialidade de Mendonça está nos prazos para diligências envolvendo líderes políticos investigados. O juiz usou dois pesos e duas medidas com figuras do PT e com senadores, governadores e deputados do campo bolsonarista. Enquanto a operação contra Jaques Wagner foi autorizada por Mendonça em apenas sete dias, as diligências contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL, demoraram meses para receber o aval do ministro.

Para agravar o quadro, até o presente momento, Mendonça bloqueou as investigações contra Ciro Nogueira e Antonio Rueda, presidentes do PP e UB, respectivamente, além de aliados dos Bolsonaros. Não bastasse, segurou tudo que envolveu a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

A ofensiva de Mendonça muda o eixo da disputa

O pior estava, porém, por vir: Mendonça abriu uma guerra interna no STF contra Alexandre de Moraes, investigando ilegalmente o colega por vínculos com Vorcaro. Esse movimento de Mendonça permitiu que a campanha de Flávio retomasse a iniciativa política perdida desde que o áudio do filho de Bolsonaro pedindo dinheiro para o banqueiro tornou-se público.

Até esse momento, Mendonça estava ganhando o debate público, com maioria de menções de apoio ao seu movimento e de críticas a Moraes tanto nas redes sociais quanto na mídia tradicional. Além disso, a campanha de Flávio Bolsonaro buscou colar Moraes com Lula, de modo a reverter a desvantagem que o filho de Bolsonaro vem apresentando nas pesquisas de intenções de voto.

A situação política começou a se inverter quando Mendonça avançou diretamente contra o governo Lula ao determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Esse movimento deixou mais nítidas suas intenções de interferir no processo eleitoral, tanto que o pêndulo da opinião pública se inverteu, com Mendonça recebendo mais menções críticas.

Além disso, o presidente Lula retomou a iniciativa política com um pedido de quebra do sigilo de todas as investigações relacionadas ao Master. A cobrança por transparência foi a melhor forma de enfrentar a tentativa de golpe que Mendonça colocou em prática, cujo objetivo foi favorecer Flávio.

Finalmente, veio a queda do sigilo e o Brasil ficou sabendo que Flávio

O candidato do PL é investigado pelo STF e pela PF desde julho de 2026. Mendonça sonegou essa informação da sociedade, o que foi fundamental para que Flávio sustentasse sua segunda posição na corrida eleitoral. Sem dúvida, os principais prejudicados com essa interferência foram os demais candidatos da direita, que poderiam herdar os votos do eleitorado conservador desapontado com o filho de Jair Bolsonaro.

Lula resiste, e Flávio volta à defensiva

A guerra interna no STF ainda terá desdobramentos sérios, com o julgamento sobre Moraes marcado para 15 de setembro e outro sobre Mendonça agendado para 23 de setembro. Mas, do ponto de vista eleitoral, Lula resistiu ao pior momento, como revelam as pesquisas eleitorais mais recentes.

Nos levantamentos da Quaest, AtlasIntel e Datafolha de 7 a 14 de setembro, independentemente da metodologia, Lula se manteve na faixa dos 40% dos votos totais e 45% dos votos válidos, enquanto Flávio segue na faixa dos 35% dos votos totais e 40% dos votos válidos.

A tendência para os últimos 20 dias será de acirramento da polarização, com crescimento das intenções de voto tanto de Lula quanto de Flávio, na medida em que o conflito dentro do STF se intensifica. A diferença é que agora Lula terá a vantagem de explorar que Flávio Bolsonaro é investigado pelo STF e pela PF pelo dinheiro que ele pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro, o que coloca o candidato da extrema-direita novamente na defensiva política.

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.



Fonte ==> Casa Branca

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