Uma das versões sobre o nascimento da margarita envolve uma dançarina que atuava em Tijuana, no México. De ascendência cigana e irlandesa, chamava-se Margarita Cansino. Mais tarde, ficaria mundialmente famosa como Rita Hayworth, a deusa ruiva que erotizou Hollywood.
Enrique Bastante Gutiérrez, bartender do Água Caliente, estabelecimento que fica na mesma Tijuana, teria criado a homenagem em algum ponto dos anos 1930. É uma versão tentadora, mas, como sói acontecer na história da coquetelaria, a verdade é mais confusa.
Aparentemente, margarita é só um nome, já que existe um coquetel com receita idêntica desde 1937. É o picador, uma invenção britânica. Puristas vão mais longe e sustentam que a margarita nada mais é que a tradução para o espanhol de daisy, família de coquetéis feitos com suco de limão, algum licor e um destilado, que floresceu na era vitoriana.
Para complicar, um livro de receitas do Cotton Club, célebre casa de shows no Harlem, cuja história foi contada em filme epônimo de Coppola, trazia, em 1939, o tequila sour, com os mesmos ingredientes e proporções do picador.
O picador foi plagiado? Pode ser, pois sua receita foi publicada antes das demais no “Café Royal Cocktail Book”. Também pode ser coincidência. Mesmo assim, fica a dúvida: quem criou o nome margarita? Além de Gutiérrez, há outros contendores.
Um ano depois do picador, em 1938, o mexicano Carlos Danny Herrera teria batizado o mais famoso coquetel com tequila em homenagem a Marjorie King, uma dançarina do Ziegfeld Follies, o teatro de revista da Broadway, inspirado pelo Folies Bergère de Paris.
Mas a primeira vez que o daisy/picador/tequila sour surgiu no papel com o nome margarita foi apenas em 1953, no jornal californiano The Press Democrat. No mesmo ano, a revista Esquire deu a receita e descreveu a mistura: “Ela é do México, ‘señores’, e é linda de se ver, excitante e provocativa.”
Palavras que caem como uma luva na figura sinuosa de Rita Hayworth, a eterna Gilda, e da cantora Peggy Lee, que também pode ter inspirado a margarita. A loura Lee foi uma jazz-star pré-Madonna —que, aliás, diz ter sido muito influenciada por ela (assim como Billie Eilish, PJ Harvey e Beyoncé). Lee faria 106 anos neste 26 de maio.
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Autora ou coautora de mais de 270 canções, e dona de uma voz sedutora, Peggy Lee é principalmente conhecida por “Fever”, com seu estalar de dedos marcando o ritmo, e “Is That All There is”, uma história de desencanto temperada com humor, ao estilo Kurt Weill e Bertolt Brecht. O arranjo é de Randy Newman, o compositor da trilha de “Toy Story”.
Ela teria entrado num bar em Galveston, cidade texana no Golfo do México, e pedido um drinque com tequila “sem muita frescura”. O bartender Santos Cruz atendeu seu pedido sem pensar muito. O batismo, no entanto, teria sido feito pelo marido de Lee, o guitarrista Dave Barbour (que havia tocado na banda de Billie Holiday). A explicação: Peggy é apelido de Margaret.
O certo é que, na Copa, muitos torcedores vão brindar com margaritas nos bares de Guadalajara, Monterrey e Cidade do México, locais-sede de vários jogos. A receita a seguir é uma boa variante.
Blood orange margarita
- 30 ml de tequila
- 15 ml de licor de laranja
- 5 ml de Campari
- 15 ml de suco de toranja
- 15 ml de suco de limão
- 5 ml de xarope de açúcar
Bata os ingredientes e sirva num copo old-fashioned com gelo. Ponha sal na borda e uma fatia de toranja.
Fonte ==> Folha SP


