18 de julho de 2026

Mercado entra em uma nova fase e desafia empresas a competir pela qualidade da gestão, afirma especialista

Com economia menos volátil, inflação sob controle e consumo estável, empresas passam a depender menos do cenário externo e mais da capacidade de executar, interpretar dados e tomar decisões estratégicas

Depois de um longo período marcado por inflação elevada, juros altos e oscilações no consumo, o varejo brasileiro começa a operar em um ambiente de maior previsibilidade. A desaceleração dos índices inflacionários, a redução recente nos preços dos combustíveis e a estabilidade do consumo indicam um mercado que já não reage aos mesmos sobressaltos dos últimos anos.

À primeira vista, esse contexto pode transmitir uma sensação de tranquilidade. Na prática, porém, especialistas avaliam que justamente nos momentos de maior estabilidade é que ficam mais evidentes as diferenças entre empresas preparadas e aquelas que ainda enfrentam dificuldades para transformar planejamento em resultado.

Essa é uma das conclusões apresentadas por Paulo Brenha no mais recente Boletim Executivo do Varejo, publicação semanal que reúne indicadores econômicos, movimentos corporativos e tendências de consumo para apoiar empresários e gestores na tomada de decisão.

Na avaliação do executivo, quando o ambiente econômico deixa de ser o principal fator de impacto, o desempenho das empresas passa a depender muito mais da qualidade da gestão.

“Quando todos enfrentam praticamente o mesmo ambiente econômico, o diferencial deixa de estar no cenário e passa para dentro das empresas. É a qualidade da execução que determina quem cresce.”

Crescimento moderado aumenta o peso da eficiência

Os indicadores mais recentes ajudam a explicar essa mudança de cenário.

Em maio, o varejo restrito registrou crescimento de 0,1%, recuperando parcialmente a retração observada no mês anterior. Já a inflação oficial desacelerou para 0,16% em junho, enquanto gasolina, etanol e diesel apresentaram novas reduções de preço, diminuindo parte da pressão sobre custos logísticos e operacionais.

Embora os números apontem para um ambiente mais favorável, Brenha ressalta que eles não indicam um ciclo de expansão acelerada da economia.

Segundo ele, o mercado continua avançando, porém em ritmo mais moderado, tornando eficiência operacional, produtividade e capacidade comercial fatores cada vez mais determinantes para o desempenho das empresas.

“O mercado continua evoluindo, mas sem impulsos extraordinários. Isso faz com que eficiência operacional, produtividade e capacidade comercial tenham um peso ainda maior no resultado.”

Consumidor compra com mais critério

Outro dado observado no boletim é o Índice de Confiança do Consumidor, que permaneceu em 88,7 pontos.

Apesar da pequena queda em relação ao levantamento anterior, o indicador demonstra estabilidade e reforça uma característica já percebida pelo varejo: o consumidor continua comprando, mas faz escolhas cada vez mais criteriosas.

Na avaliação de Brenha, preço continua sendo importante, mas deixou de ser o único fator decisivo.

Empresas que conseguem comunicar valor, oferecer uma boa experiência de compra e construir relações de confiança tendem a conquistar vantagem competitiva em um mercado onde o cliente pesquisa mais, compara alternativas e adia decisões impulsivas.

“Hoje o consumidor compara mais, pesquisa mais e avalia melhor cada compra. Ganha espaço quem consegue transmitir valor com clareza e oferecer uma experiência consistente.”

Transformações seguem acelerando o setor

Além do cenário econômico, o boletim destaca mudanças estruturais que continuam remodelando o varejo brasileiro.

Entre elas estão o avanço da inteligência artificial aplicada à personalização do atendimento, a integração entre canais físicos e digitais, a evolução dos meios de pagamento inteligentes, o fortalecimento das práticas ESG e a transformação das lojas físicas em espaços voltados à experiência do consumidor.

Para Brenha, essas iniciativas deixaram de representar projetos futuros e passaram a fazer parte da rotina das organizações que lideram seus segmentos.

“Não estamos falando de tendências distantes. Elas já fazem parte da rotina das empresas mais competitivas e continuarão definindo quem conquista eficiência e fidelização.”

Expansão continua mesmo em cenário moderado

O anúncio da primeira operação própria de farmácias do Assaí também integra os destaques do levantamento.

Na visão do especialista, movimentos como esse demonstram que empresas com planejamento consistente continuam investindo mesmo quando o crescimento da economia ocorre de forma gradual.

Segundo ele, organizações bem estruturadas aproveitam períodos de estabilidade para ampliar participação de mercado enquanto muitos concorrentes permanecem aguardando condições consideradas ideais para investir.

Informação passou a ser ativo estratégico

Para Brenha, acompanhar indicadores econômicos deixou de ser uma atividade restrita às áreas financeira ou de planejamento. Hoje, compreender o comportamento da economia tornou-se parte da gestão comercial, influenciando decisões relacionadas a preços, estoque, logística, investimentos e relacionamento com clientes.

Mais importante do que acompanhar números é entender como eles afetam o negócio e transformá-los em decisões práticas.

“O empresário que interpreta corretamente os indicadores toma decisões mais rápidas, reduz riscos e consegue transformar informação em vantagem competitiva.”

Ao reunir dados econômicos, movimentos empresariais e tendências de consumo em um único panorama, o Boletim Executivo do Varejo busca justamente oferecer esse suporte aos gestores. Em um ambiente de menor volatilidade, a diferença entre crescer acima da média ou apenas acompanhar o mercado tende a depender cada vez menos das condições externas e cada vez mais da capacidade de cada empresa de executar sua estratégia com consistência.

Paulo Brenha

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Paulo Brenha é executivo de varejo e Customer Experience, com mais de 15 anos de atuação em grandes empresas de consumo e serviços. Diretor Comercial, LinkedIn Top Voice e uma das vozes mais influentes do Brasil em CX, Varejo e Comunicação, atua na interseção entre estratégia, vendas, experiência do cliente e desenvolvimento de pessoas, ajudando organizações a crescerem com propósito e resultado.

Com sólida formação acadêmica, incluindo programas na Fundação Dom Cabral, Harvard, MIT, FGV, FIA, PUCRS e especializações em Neuromarketing, Neuroeconomia e comportamento do consumidor pelo IBN, Paulo é reconhecido por transformar estratégia em execução prática, liderar times de alta performance e gerar impacto sustentável nos negócios.

Autor, palestrante e criador de conteúdos estratégicos, compartilha reflexões sobre liderança, varejo, inovação e performance comercial, sempre com foco em pessoas, consistência e geração de valor no longo prazo.

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