As pesquisas de boca de urna divulgadas pela emissora pública ARD indicam que a AfD deve conquistar cerca de 37% dos votos, superando os social-democratas do SPD (35,5%) e os conservadores da CDU (5,5%) – partidos que, juntos, formam a coalizão governamental em nível federal. O desempenho da CDU ficou pouco acima da cláusula de barreira necessária para entrar no Parlamento regional.
No entanto, é pouco provável que a AfD consiga governar a região, uma vez que os outros principais partidos descartam qualquer colaboração com a legenda nacionalista e anti-imigração.
Caso esses números se confirmem, será o pior desempenhos do tradicional partido conservador em uma eleição regional desde 1949. Seria também mais uma vitória regional em duas semanas para a AfD, rejeitada pelas legendas tradicionais, mas que tem liderado as pesquisas nacionais.
Merz admite “desastre”, mas descarta renúncia
“É um desastre”, declarou Merz em pronunciamento à televisão, algo incomum em eleições regionais. Ele garantiu, entretanto, que continuaria o trabalho na chefia de governo alemão, ignorando os rumores de que um resultado ruim poderia levá-lo a renunciar. Também se comprometeu a dar continuidade ao seu programa de reformas.
“Assumo essa responsabilidade porque quero fazer nosso país avançar”, disse ele, admitindo que a “confiança nas instituições do nosso país está diminuindo” e avaliando que ela estava sendo “ativamente minada por partidos radicais, tanto de esquerda quanto de direita”.
AfD sobe em Berlim
Em Berlim, onde também houve eleições neste domingo, o partido de extrema esquerda Linke obteve 24,5% dos votos, enquanto a CDU conquistou 20% e a AfD, 16% — o que também marca um avanço da legenda de extrema direita. “Em nossa cidade, a liberdade e a justiça triunfaram sobre o ódio”, disse a candidata do Die Linke, Elif Eralp, referindo-se à AfD.
A votação expressiva da sigla na capital, conhecida por ser aberta e tolerante, representa um salto em relação aos cerca de 9% registrados nas últimas eleições regionais em Berlim, em 2023. Vários membros da AfD celebraram um “resultado sensacional” em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental e um “bom resultado” em Berlim.
Os números das duas votações podem não ser suficientes para acabar com o governo Merz, iniciado há apenas 16 meses. Ele recebeu, na semana passada, o apoio de oito chefes de governo regionais conservadores.
No entanto, sua baixa popularidade, suas reformas impopulares e a vitória da AfD nas eleições regionais anteriores, na Saxônia-Anhalt, deixaram seu futuro incerto.
Ascensão da AfD desafia isolamento da extrema direita
O chanceler convocou uma reunião do partido no domingo para discutir a estratégia a ser adotada. Merz prometeu reaquecer a economia nacional estagnada, rearmar o país para dissuadir a Rússia e conter a imigração irregular para reconquistar os eleitores que migraram para a AfD, que se tornou a segunda força política do país nas eleições legislativas de 2025.
Contudo, as reformas prometidas demoram a se concretizar, em meio a divergências e disputas com seu parceiro de coalizão, o Partido Social-Democrata, que também enfrenta queda de popularidade.
A ascensão da AfD na Alemanha foi sentida como um choque por grande parte da sociedade e da classe política, em um país cuja identidade permanece marcada pela culpa pelos crimes do nazismo. Até agora, nenhum partido quis se aliar à extrema direita, mas seus sucessos eleitorais poderiam reacender o debate, especialmente dentro do partido conservador do chanceler.
Com Reuters e AFP
Fonte ==> Casa Branca


