Por Eduardo Teixeira e André Ribeiro, sócios e Diretores Executivos do BNI em Curitiba, BNI Leste do Paraná.
Em 2016, quando começamos a estruturar o projeto BNI em Curitiba, ouvíamos com frequência a mesma objeção: “Eu já tenho minha carteira de clientes, não preciso ficar em grupo trocando indicação”. Era um raciocínio comum entre empresários brasileiros, o networking era visto como atividade social, algo para os momentos de folga entre uma reunião e outra. Nunca como estratégia.
Em 2017 lançamos as primeiras equipes do BNI em Curitiba. Hoje somos a segunda maior regional do país, com mais de 900 empresários só em Curitiba. Todas as semanas são realizadas 16 reuniões semanais que reunem mais de 1300 empresários, entre membros e convidados, já imaginou o poder desta rede? Nos ultimos 9 anos ajudamos estes empresários a faturar mais de R$ 1,4 bilhão e gerar mais de 679 mil novas oportunidades de negócio. Nenhum desses números veio de sorte, talento individual ou de um produto superior. Vieram de uma decisão estratégica, tratar o network como infraestrutura de crescimento, não como atividade social ou grupo de bate papo.

A confusão que trava o crescimento de muita empresa
O empresário brasileiro em geral cresceu ouvindo que resultado vem de execução: produto bom, preço competitivo, entrega eficiente. Tudo isso continua verdadeiro. Mas há uma variável que raramente entra na equação e que, na nossa experiência, é a que mais acelera ou trava o crescimento: a arquitetura das conexões que uma empresa consegue construir ao seu redor.
Networking estratégico não é ampliar agenda de contatos. É desenhar, com intenção, um ecossistema de pessoas capazes de abrir portas, encurtar caminhos e emprestar credibilidade para o seu negócio crescer mais rápido do que ele cresceria sozinho. A diferença entre uma rede de contatos e uma rede estratégica é a mesma diferença entre ter um estoque de peças soltas e ter uma máquina montada.
Networking como ferramenta de gestão, não de eventos
O Brasil tem evoluido bastante sobre este conceito, mas grande parte dos empresários ainda trata reunião de network como evento. Empresas que crescem de forma consistente tratam suas conexões como processo contínuo de gestão, com a mesma disciplina que se aplica ao fluxo de caixa ou ao funil de vendas. Isso significa mapear quem falta na sua rede antes de precisar dela, cultivar relação com quem pode abrir mercado antes de precisar de mercado novo, e medir o retorno de cada conexão com a mesma seriedade com que se mede o retorno de qualquer outro investimento.
O que vem a seguir
Achamos que a próxima fronteira do crescimento empresarial brasileiro não está apenas em tecnologia ou eficiência operacional, ainda que ambas continuem indispensáveis. Está em empresários dispostos a tratar suas conexões como ativo estratégico, com plano, meta e revisão periódica e não como algo que acontece de forma espontânea, se o tempo permitir.
Negócio se faz entre pessoas. E estar num ambiente com empresários com a mesma mentalidade, buscando os mesmos tipos de cliente, muda a velocidade do crescimento. Existe uma diferença grande entre ter muitos leads e ter conexões certas, entre abrir qualquer porta e abrir a porta que realmente muda o jogo da sua empresa.


