Existe um risco pouco discutido na vida profissional: o de atravessá-la sem arriscar o suficiente para produzir algo que permaneça.
Theodore Roosevelt escreveu que a vida que vale a pena ser vivida é aquela orientada pelo esforço em direção ao que merece ser buscado.
A frase interessa menos pelo elogio ao esforço do que pela pergunta que carrega: o que merece ser buscado?
Essa é uma questão mais difícil do que parece.
Porque uma carreira pode ser bem-sucedida sem produzir obra.
Pode acumular cargos, resultados, reconhecimento e ainda assim permanecer inteiramente dedicada à administração do que já existia.
Obra é outra coisa.
É aquilo que modifica uma realidade.
Pode ser uma empresa criada do zero.
Pode ser uma tecnologia.
Pode ser um modelo de gestão.
Pode ser uma forma diferente de organizar pessoas.
Pode ser uma evolução discreta em algo que parecia concluído.
Nem toda construção precisa ser inédita para ser relevante.
Há enorme valor em melhorar aquilo que recebemos.
O ponto está menos na originalidade absoluta e mais na disposição de acrescentar alguma coisa ao mundo antes de deixá-lo.
Isso exige risco.
Não necessariamente risco financeiro.
Risco intelectual.
Risco reputacional.
Risco de defender uma hipótese ainda incompleta.
Risco de começar antes de possuir todas as respostas.
Risco de descobrir, no caminho, que a primeira convicção estava errada.
A mediocridade raramente se apresenta como mediocridade.
Ela costuma chegar sob formas socialmente aceitáveis.
Prudência.
Conformidade.
Previsibilidade.
A escolha recorrente pelo caminho que oferece menos exposição.
Nada disso é necessariamente ruim.
O problema aparece quando preservar passa a ocupar todo o espaço que antes pertencia à construção.
O Executivo Nexialista não cultiva uma atração irresponsável pelo risco.
Seu interesse está naquilo que o risco torna possível.
Ele reconhece que determinadas obras só surgem quando alguém aceita entrar em territórios nos quais conhecimento e controle ainda são incompletos.
É assim que uma ideia deixa de ser apenas possibilidade.
É assim que experiência deixa de ser apenas memória.
É assim que uma trajetória começa a ganhar forma de legado.
Há pessoas que deixam patrimônio.
Outras deixam conhecimento.
Algumas deixam instituições.
Outras deixam maneiras diferentes de pensar.
Nem sempre o legado carrega o nome de quem o construiu.
E isso pouco importa.
O que importa é que algo passou a existir, ou passou a existir melhor, porque aquela pessoa esteve aqui.


