O ex-vice-ministro das Relações Exteriores do governo de Nicolás Maduro para a América do Norte e pesquisador do Instituto Tricontinental, Carlos Ron, afirmou que o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela é uma ofensiva contra todo o continente da América.
“Acho que é muito importante que o governo do Brasil e todos os governos entendam que uma agressão contra a Venezuela é uma agressão contra o continente e uma agressão contra o povo da América Latina, porque essa não é a forma de resolver a diferença política”, afirmou Ron em entrevista ao Brasil de Fato após os ataques.
Na avaliação do diplomata, permitir que potências estrangeiras ataquem países latino-americanos abre um precedente grave, que deve ser condenado de forma contundente e sem viés político. “Imagine se a América Latina não defende a soberania e não defende o direito dos povos de construir seus próprios caminhos. Como vamos permitir na América Latina que qualquer uma das potências do mundo entre e ataque outro país?”, questionou.
Em suas palavras, as divergências políticas devem ser resolvidas por meio da diplomacia, do debate e das eleições. Por isso, a ação representa uma violação ao direito internacional e deve ser rejeitada por toda a comunidade internacional.
“Nessa hora, o que se precisa é do apoio internacional, especialmente da defesa do direito internacional. É preciso entrar novamente nessa consciência de que não importa qual diferença possa existir com o governo venezuelano ou com o modelo da Venezuela, isso aqui é uma agressão de um país militarmente poderoso contra um país pacífico”, acrescentou.
Ele afirmou ainda que é relevante que o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, já tenha defendido o encaminhamento do tema ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Ron também destacou a importância de um posicionamento da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que, na sua avaliação, deve se pronunciar e rejeitar a ofensiva.
O que aconteceu
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela na madrugada deste sábado (3). O país vizinho ao Brasil emitiu um comunicado oficial rejeitando “a grave agressão militar perpetrada” pelos EUA “contra o território e a população venezuelana”. Os ataques, que começaram começaram a ser registrados às 2h50, afetaram “localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira”.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, também afirmou que o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores é desconhecido. “Exigimos uma prova de vida imediata do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores”, disse Rodríguez, em um áudio exibido pela TV estatal.
Mais cedo, o presidente estadunidense Donald Trump informou a captura de Maduro em uma rede social. “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, escreveu.
O governo venezuelano afirmou, em nota, que “tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e coloca em sério risco a vida de milhões de pessoas”. De acordo com o governo venezuelano, a ofensiva teria como objetivo a apropriação de recursos estratégicos do país.
“O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação”, diz o texto.
Fonte ==> Brasil de Fato


