20 de abril de 2026

Postura dos EUA no Estreito de Ormuz esvaziou ‘dinâmica do cessar-fogo’, diz analista internacional

Um navio de guerra dos Estados Unidos atingiu um cargueiro iraniano no Estreito de Ormuz no final de semana e intensificou a tensão entre os dois países em meio a um cessar-fogo, desde o início, considerado frágil.

Nesta segunda-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que iniciaria uma nova rodada de negociações no Paquistão e, caso o Irã não aceitasse, ameaçou atacá-lo com bombas. O país persa, por sua vez, por meio de agência de notícias oficial, Irna, negou qualquer tipo de tratativa pelo que chamou de “exigências excessivas de Washington e expectativas irrealistas”. Também apontou o bloqueio naval estadunidense no Estreito de Ormuz como uma violação ao cessar-fogo.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Amanada Harumy explica que as últimas movimentações esvaziaram qualquer dinâmica de um possível cessar-fogo na região. “Uma paz no Estreito de Ormuz, ainda que temporária, foi negociada com diplomacia e parecia que esse acordo iria trazer uma tranquilidade para o Estreito de Ormuz e isso interessa muito para o preço do petróleo. O que a gente vê é uma política militar hostil dos EUA que o Irã tem denunciado como pirataria. Então mesmo que a diplomacia norte-americana e iraniana acordaram um cessar-fogo, existe uma pirataria na região que tem impacto no colapso do cessar-fogo”, aponta.

Para a analista, a disputa em torno do canal deixou claro que as alegadas motivações estadunidenses e mesmo de Israel para iniciar a guerra não se sustentam. “Fica explícito que a disputa geopolítica é em torno do petróleo e da financeirização desse petróleo, e não uma preocupação dos EUA como um guardião da segurança internacional contra o enriquecimento de urânio”, avalia. “O interesse dos EUA é dominar a economia internacional através do petróelo.”

Harumy defende que a política internacional, no que diz respeito ao conflito no Oriente Médio, tem parecido um “jogo de apostas” dada a volatilidade de declarações, em especial as vindas do presidente estadunidense. “É de interesse de muitos países a negociação diplomática. Mas, infelizmente, os EUA, principalmente a figura do Trump, têm utilizado a negocição como uma narrativa ou até mesmo como um instrumento para ganhar tempo e sair na frente dentro de uma estrutura de conflito. O que parece é que temos negociações que estão sendo sobrepostas por decisões políticas muito aceleradas e que estão concentradas em um núcleo político trumpista”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.



Fonte ==> Brasil de Fato

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