O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará o cargo e o comando do Partido Trabalhista. Alvo de crescentes pressões dentro da própria legenda há meses, o premiê permanecerá temporariamente na função até a escolha de um sucessor, que assumirá também a chefia do governo britânico.
“Todas as decisões que tomei foram para colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que vou renunciar como líder do Partido Trabalhista”, declarou Starmer, em pronunciamento diante da residência oficial de Downing Street, em Londres.
O processo de sucessão começará em 9 de julho e deverá ser concluído antes da retomada dos trabalhos do Parlamento, em setembro. Como os trabalhistas mantêm maioria na Câmara dos Comuns, o vencedor da disputa interna assumirá automaticamente o cargo de primeiro-ministro.
A saída de Starmer ocorre menos de dois anos após sua vitória nas eleições gerais de 2024, quando o Partido Trabalhista encerrou 14 anos de governos conservadores. Desde então, porém, sua popularidade foi afetada pela estagnação econômica, pelo aumento do custo de vida e por sucessivas crises políticas que atingiram o governo.
O principal favorito à sucessão é Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester. Após conquistar uma cadeira no Parlamento na semana passada, condição necessária para disputar a liderança trabalhista, Burnham confirmou nesta segunda-feira sua candidatura. O ex-ministro da Saúde Wes Streeting, apontado como possível concorrente, anunciou que não disputará a eleição interna.
A crise que culminou na renúncia foi agravada pelo resultado das eleições municipais de maio, quando os trabalhistas sofreram perdas expressivas, e pelo aumento das críticas de parlamentares do próprio partido à condução do governo.
Com a saída de Starmer, o Reino Unido deverá ter seu sétimo primeiro-ministro em uma década, período marcado por forte instabilidade política desde o Brexit.
Em nota, o Your Party, partido criado por aliados do ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn após seu rompimento com a legenda de Starmer, afirmou que a saída do premiê é “o resultado inevitável de uma liderança que abandonou as pessoas que o Partido Trabalhista foi fundado para representar”.
Segundo a organização, o agora primeiro-ministro interino “falhou em defender os trabalhadores, criminalizou o direito de protestar e auxiliou os crimes de Israel em Gaza“. O grupo também argumentou que a eventual substituição de Starmer por outro líder trabalhista não resolverá a crise política britânica, defendendo a construção de uma nova alternativa política voltada à classe trabalhadora.
Fonte ==> Brasil de Fato


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