20 de julho de 2026

Projeto para Democratização das Tecnologias, “O Condado Digital Brasil”, aprofunda visão crítica sobre as realidades da cidade ao interior do Brasil

Neylton Almeida

Idealizado pelo estudioso social Neylton Almeida, projeto defende a criação de polos tecnológicos regionais para reduzir desigualdades, fortalecer a inclusão digital e promover o desenvolvimento sustentável a partir das características de cada território.

A transformação digital tem avançado em ritmo acelerado no Brasil, mas seus benefícios ainda não alcançam a população de forma igualitária. Enquanto grandes centros urbanos concentram infraestrutura, inovação e oportunidades, milhares de comunidades seguem enfrentando barreiras de acesso à tecnologia, qualificação e desenvolvimento econômico. Diante desse cenário, surge o Projeto Condado Digital Brasil, uma iniciativa que propõe democratizar as tecnologias a partir das diferentes realidades sociais, culturais e econômicas dos territórios brasileiros.

Idealizado pelo estudioso social e estrategista da economia digital Neylton Almeida, o projeto parte da compreensão de que políticas voltadas à inovação precisam considerar as particularidades de cada região para gerar impacto efetivo. A proposta busca integrar tecnologia, inclusão social, governança sustentável e desenvolvimento regional, respeitando as características específicas dos chamados Territórios de Identidade.

Territorialidade como ponto de partida

A concepção do Projeto Condado Digital Brasil nasceu da observação das desigualdades existentes entre diferentes regiões da Bahia, estado que adota oficialmente, desde 2007, o conceito de Territórios de Identidade como instrumento de planejamento público.

Para desenvolver sua proposta, Neylton Almeida reuniu estudos sobre aspectos históricos, culturais e sociais envolvendo comunidades afrodescendentes, povos originários, populações periféricas de Salvador e grupos tradicionais do sertão baiano. O objetivo foi compreender como diferentes realidades convivem dentro de um mesmo estado e exigem soluções específicas para seus desafios.

Segundo o idealizador, embora a transformação digital represente uma mudança estrutural na sociedade contemporânea, muitas comunidades continuam distantes das oportunidades geradas pela nova economia, seja pela falta de infraestrutura, qualificação ou políticas públicas direcionadas.

Neylton Almeida e a esposa Thais Pereira

A diversidade dos territórios exige soluções diferentes

A proposta parte do entendimento de que regiões como o Vale do Jiquiriçá, o Território do Descobrimento, o Oeste Baiano, o Recôncavo, o Território do Sisal e Itaparica apresentam contextos econômicos, culturais e sociais completamente distintos entre si.

Essa diversidade demonstra que soluções padronizadas dificilmente conseguem atender às necessidades locais. Para Neylton Almeida, compreender essas diferenças é essencial para construir políticas de desenvolvimento capazes de gerar inclusão e reduzir desigualdades.

O estudioso defende que a discussão sobre desenvolvimento regional precisa ultrapassar debates superficiais ou circunstanciais, priorizando estratégias permanentes voltadas às demandas reais da população.

Polos Tecnológicos Digitais Regionais

Como resposta a esse desafio, o Projeto Condado Digital Brasil propõe a criação dos chamados Polos Tecnológicos Digitais Regionais, concebidos como ecossistemas tecnológicos comunitários voltados ao fortalecimento da economia digital em diferentes territórios.

A proposta prevê espaços capazes de oferecer múltiplas oportunidades relacionadas à tecnologia, inovação, capacitação profissional, empreendedorismo e desenvolvimento social, sempre adaptadas às características de cada região.

A tecnologia é tratada como tema transversal, capaz de impulsionar diferentes setores da economia e ampliar oportunidades para jovens, empreendedores e comunidades historicamente afastadas dos grandes centros de inovação.

Inclusão digital como instrumento de transformação social

Outro eixo central do projeto é a democratização do acesso às tecnologias por meio da criação de Centros Tecnológicos Comunitários, voltados à inclusão digital e à formação de cidadãos preparados para participar da nova economia.

A iniciativa também incorpora princípios de ESG (governança, sustentabilidade e responsabilidade social) como base para a construção de políticas públicas e projetos capazes de promover desenvolvimento econômico aliado à inclusão social.

Segundo Neylton Almeida, a transformação digital somente será efetivamente democrática quando alcançar diferentes culturas, comunidades e regiões do país, respeitando suas particularidades e fortalecendo suas potencialidades.

Um modelo que pode ser replicado em todo o Brasil

Embora tenha como ponto de partida a realidade baiana, o Projeto Condado Digital Brasil foi concebido para atender desafios presentes em diferentes estados brasileiros.

Como exemplo, Neylton Almeida cita bairros de Salvador, como Pituba e Pernambués, que, apesar da proximidade geográfica, apresentam diferenças profundas nas condições de vida, oportunidades e acesso à tecnologia. A mesma lógica, segundo ele, pode ser observada em grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e em inúmeras cidades do interior do país.

Ao defender uma abordagem baseada na territorialidade, na inovação e na inclusão digital, o Projeto Condado Digital Brasil propõe um novo olhar sobre o desenvolvimento regional, buscando aproximar tecnologia e cidadania para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades em todas as regiões do Brasil.

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Site: ocondadoba.com.br
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