O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou um inquérito para investigar um reality show criado pelos influenciadores Viih Tube e Eliezer e estrelado por funcionários que trabalham para o casal. Segundo o órgão, a apuração, aberta na quarta-feira (1º), busca verificar possíveis violações trabalhistas envolvendo 11 empregados.
A polêmica começou após a exibição do primeiro episódio. Em uma das provas, os participantes precisavam recolher moedas espalhadas pela casa, incluindo algumas colocadas dentro de um vaso sanitário e de uma lixeira. Após a repercussão negativa nas redes sociais, o vídeo foi removido.
Intitulado “As Patroas (e o Patrão)”, o programa seria exibido duas vezes por semana. O vencedor receberia R$ 20 mil, além dos valores acumulados nas provas. Em um dos desafios, o prêmio era uma motocicleta. A dinâmica também previa a participação das funcionárias em dias que não faziam parte de sua jornada regular de trabalho.
Influenciadora alega que projeto era uma crítica à escala 6×1
Após as críticas, os funcionários saíram em defesa do casal. A governanta da casa, Ediléia Santana, conhecida como Leinha, publicou um vídeo ao lado das colegas de trabalho afirmando que nenhuma delas foi obrigada a participar do programa.
“Indignada, porque pobre não pode ter nada, ele não pode ter oportunidade de ter nada, que vem gente dar opinião onde foi chamado, entendeu?”, afirmou Ediléia nas redes sociais.
Em resposta à repercussão, Viih Tube disse que já cogitava uma possível investigação do MPT. A influenciadora destacou que um dos objetivos do projeto era estimular o debate sobre a proposta que prevê a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, que está sendo apreciada pelo Congresso Nacional.
“A nossa intenção era chamar atenção para falar sobre a escala 6×1, da qual nós somos contra. Porém, eu não imaginava que tomaria a proporção que tomou”, declarou.
Viih Tube também esclareceu que os participantes foram convidados a participar e os interessados assinaram contratos e receberam pagamento pela participação na produção audiovisual. “Eles assinaram um contrato de produção audiovisual e receberam como se fosse uma publi (sic)”, disse.
TST publica mensagem sobre assédio moral
Em meio à repercussão do caso, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) publicou nas redes sociais uma mensagem sobre assédio moral no ambiente de trabalho, sem citar diretamente o reality show.
Com a frase “Humilhação não é entretenimento”, a publicação destaca que a exposição de trabalhadores a situações vexatórias pode caracterizar assédio moral e violar direitos relacionados à dignidade e à integridade no ambiente profissional.
“Quem trabalha na casa de alguém também tem direito a um ambiente respeitoso”, concluiu.
Fonte ==> Gazeta


