4 de novembro de 2026

Romero Britto conta que tratou câncer de próstata em segredo

Romero Britto conta que tratou câncer de próstata em segredo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O artista plástico Romero Britto contou em sua autobiografia, “A Arte da Felicidade”, que descobriu estar com câncer de próstata em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Até então, poucas pessoas sabiam que ele havia enfrentado a doença e passado por uma cirurgia.

O relato aparece no encerramento do livro. Britto explica que escolheu preservar a intimidade durante o tratamento para concentrar suas energias na recuperação. Em vez de tornar o diagnóstico uma questão pública, preferiu manter a rotina, seguir as orientações médicas e buscar serenidade.

“É a primeira vez que falo abertamente sobre esse episódio marcante, e não é por acaso que escolhi encerrar o livro com ele”, escreve o artista.

A descoberta aconteceu durante um check-up anual, em um período em que a pandemia ainda alterava a rotina de consultas e exames. Um resultado do teste de PSA chamou a atenção de Lucas, companheiro de Britto, que tem formação em medicina. Depois de repetir o exame três vezes e obter resultados semelhantes, os dois decidiram investigar a suspeita por meio de uma biópsia.

A confirmação veio alguns dias depois, em uma ligação do médico. No livro, o artista relembra o impacto de ouvir a notícia e a dificuldade de assimilar o diagnóstico naquele momento.

“Ainda me lembro da voz embargada do médico: ‘Romero, você tem câncer’. ‘Oh, my God!’, foi tudo o que consegui dizer”, conta.

Apesar do susto, Britto afirma que procurou não deixar que a doença dominasse sua vida. A decisão de não transformar o câncer em uma “batalha pública”, como descreve, não significou ignorar o problema. Ele seguiu o tratamento indicado pelos médicos, mas tentou preservar a tranquilidade e manter as atividades que faziam parte de sua rotina.

“Decidi, então, não travar uma luta contra o câncer, e sim viver como se ele não existisse. Não me entenda mal, eu não ignorei o problema. Segui o tratamento, cumpri cada orientação médica, mas procurei manter a serenidade”, afirma na autobiografia.

O tratamento incluiu uma cirurgia para a retirada da próstata. Depois do procedimento, o artista precisou permanecer algumas semanas em repouso. Mesmo durante a recuperação, porém, encontrou na pintura uma maneira de manter o ânimo e a conexão com o trabalho.

“Eu queria pintar, pois fazer arte é o que me move”, escreve. Britto também atribui à fé, ao otimismo e ao apoio de pessoas próximas parte importante de sua experiência durante o período, sem deixar de destacar o acompanhamento médico.

Cinco anos após a cirurgia, o artista afirma que não houve novos sinais da doença. Segundo ele, o câncer não voltou a se manifestar e é considerado curado há dois anos. No livro, Britto também agradece aos profissionais de saúde que participaram do tratamento, além de amigos, integrantes de sua equipe e pessoas que o acompanharam durante a recuperação.

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Fonte ==> Gazeta do Povo e Notícias ao Minuto

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