Flávio Bolsonaro soma aproximadamente 17,6 milhões de seguidores em suas redes sociais. Mesmo sem postar há 13 meses, o pai tem 67,2 milhões; a prisão quase não alterou o número. No mundo digital o filho do peixe continua a ser um peixinho.
Daí que a campanha bolsonarista, tentando repetir o terremoto que abalou as redes em 2018 e afastar o incômodo com o desempenho tímido do senador, se esforça para fazer com que a tropa de aliados replique os posts. O primeiro a ser intimado a participar do esquema foi o deputado Nikolas Ferreira (44,2 milhões de seguidores).
Curiosamente, o governo de Donald Trump acaba de acusar o Brasil de promover censura depois de o antigo Twitter anunciar mudanças em seu algoritmo para as eleições de 2026. Conforme acertado com o TSE, a plataforma deixará de recomendar, na aba “Para Você”, publicações de candidatos não seguidos pelos usuários. A regra, no entanto, não impede o acesso às postagens. Onde está a censura, cara pálida?
A nova fase de Flávio Bolsonaro nas mídias começou de maneira estranha. No pior estilo trumpista, ele publicou um vídeo usando inteligência artificial. O candidato moderado aparece transfigurado, à beira de uma piscina, usando apenas uma sunga branca, faixa presidencial atravessada no peito musculoso de havaiano de filme e uma lata de bebida na mão.
Quem viu, quis desver. Nem a seita entendeu a mensagem enigmática que o 01 desejava passar. Um aceno à machosfera? Um convite à brodagem? Uma referência velada às surubas de Daniel Vorcaro? Boa parte dos seguidores reclamou, exigindo mais “decoro” de quem representa o conservadorismo. A publicação foi excluída.
O reforço no digital busca apagar a impressão negativa do ato em Copacabana, com menos de 9.000 pessoas e sem as presenças no palanque de Nikolas Ferreira, da ex-primeira-dama Michelle e do pastor Silas Malafaia (que também não organizará a manifestação de 7 de setembro). Falta à campanha de Bolsonaro filho o que o lugar-comum da política define como clamor das ruas.
Fonte ==> Folha SP


