11 de agosto de 2026

Câmeras com IA: como funcionam as tecnologia que detectam infrações nas rodovias?

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Câmeras com inteligência artificial são a tecnologia mais recentemente adotada para fiscalizar e autuar motoristas cometendo infrações de trânsito. O sistema de monitoramento está presente em rodovias de estados como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

Nos locais em que é utilizada, como na Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros (SP-340), em Campinas (SP), a novidade contribuiu para modificar o comportamento dos condutores. As multas pela não utilização do cinto caíram 12,6% entre janeiro e maio de 2026, segundo a Renovias, que administra o trecho.

Em quais lugares a novidade já funciona? Que infrações detecta? Quem aplica as multas e como os dados são protegidos? O TecMundo conversou com concessionárias que usam câmeras inteligentes e traz as respostas a seguir.

Como funciona a tecnologia?

Aprimorados com IA generativa e visão computacional, entre outras ferramentas, os sistemas de câmeras de monitoramento inteligente são instalados em pontos estratégicos. Operando dia e noite, eles tentam detectar comportamentos previamente configurados ao analisar imagens do tráfego.

Quando a IA identifica a possibilidade de infração, um alarme é gerado. Neste momento, entra em ação o policial rodoviário que atua no Centro de Controle Operacional (CCO) da concessionária, como explicou à reportagem o gerente de tecnologia da Renovias, Michel Costa.

“Ela (a IA) não substitui o humano. Ela auxilia e muito a operação, podendo aprender com os erros e se reconfigurar automaticamente enquanto analisa o tráfego”, destacou o porta-voz da empresa.

As câmeras com IA monitoram o trânsito em tempo real. (Imagem: Aphithana Chitmongkolthong/Getty Images).

De acordo com ele, a tecnologia funciona melhor em condições de boa visibilidade, mas isso não impede a operação em momentos de neblina, chuva ou à noite. As câmeras inteligentes compensam a baixa luminosidade com alta resolução, maior taxa de frames por segundo e outros recursos.

Infrações capturadas pelo sistema

A tecnologia utilizada para identificar maus comportamentos nas estradas flagra diferentes tipos de infrações. Na Renovias, o sistema foi inicialmente treinado para identificar a falta do cinto de segurança, tanto do motorista quanto do passageiro, e o uso do celular ao volante.

Não usar o cinto de segurança é infração grave, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), levando à anotação de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e aplicação de multa de R$ 195,23. O registro acontece se qualquer um dos ocupantes estiver sem o acessório.

Já o manuseio do celular ao volante gera infração gravíssima, com sete pontos na CNH e multa de R$ 293,47. Isso vale para o condutor em uma ligação, lendo mensagens, abrindo apps ou realizando outras atividades com o smartphone nas mãos.

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O uso do celular ao volante é uma das infrações flagradas pelo sistema. (Imagem: Renovias/Polícia Rodoviária/Divulgação).

Especialistas apontam que a prática reduz o tempo de reação do motorista e o faz tirar os olhos da pista, afetando a visão panorâmica e aumentando os riscos de acidentes. “O nosso grande mal hoje é o celular”, apontou Costa.

Planejando ampliar a quantidade de câmeras com IA em sua malha viária, a concessionária também quer usar o sistema para detectar mais penalidades. Motociclista sem capacete, mais de dois ocupantes em uma moto e veículos na contramão devem ser as próximas adições.

O índice de assertividade da tecnologia na identificação das infrações monitoradas é superior a 98%, defende a Renovias.

Redução de multas

Ainda de acordo com a Renovias, que é uma companhia comandada pela Motiva (antiga CCR) e pelo Grupo Encalso, o sistema de videomonitoramento utilizado é composto por câmeras inteligentes instalados no km 117 (sentido interior) e no km 112 (sentido capital) da SP-340. A empresa relata redução nas duas infrações monitoradas desde o início da operação.

Nas autuações por falta de cinto de segurança, os registros passaram de 5.540 nos cinco primeiros meses de 2025 para 4.841 no mesmo período de 2026, ou seja, uma queda de 12,6%. Já as multas por celular ao volante caíram de 1.744 para 1.581, redução de 9,3%.

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As câmeras inteligentes também detectam motorista e passageiros sem cinto de segurança. (Imagem: Renovias/Polícia Rodoviária/Divulgação).

“Os resultados reforçam a importância do uso de tecnologia como apoio às ações de fiscalização e ao trabalho permanente de conscientização desenvolvido pela concessionária, contribuindo para a adoção de comportamentos mais seguros e para a preservação de vidas nas rodovias”, destacou a companhia.

A Renovias reiterou que não é responsável pela aplicação das multas. Esse trabalho é feito pelo policial rodoviário no CCO, que revisa e valida as imagens, realizando a identificação do veículo e as demais etapas para a notificação.

Segurança dos dados

Quanto ao armazenamento e à proteção dos dados gerados pelas câmeras inteligentes, a concessionária afirma seguir as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). As políticas de segurança são as mesmas aplicadas às demais informações coletadas na administração da rodovia.

De modo geral, as imagens de eventos “sem importância” são descartadas rapidamente. Por outro lado, as referentes às infrações ficam preservadas por mais tempo, pois podem ser utilizadas como prova em caso de contestação das multas.

Destacando que as imagens têm “finalidade operacional e de segurança viária”, a empresa ressalta que as gravações são acessadas internamente pelos policiais no CCO. Elas só saem dali por solicitação judicial para fins de investigação das infrações.

Já em relação ao banco de dados para o treinamento da IA, a Renovias informou que o procedimento é feito pelo fabricante do sistema com diferentes conjuntos de informações. As imagens coletadas em tempo real ajudam a aprimorar a tecnologia.

Outras rodovias que utilizam a tecnologia

O TecMundo entrou em contato com outras concessionárias que usam câmeras inteligentes para monitoramento e detecção automática de infrações. Conheça mais rodovias em que sistemas parecidos são utilizados atualmente.

Rodoanel Mário Covas

Gerenciados pela SPMar, os trechos Sul e Leste do Rodoanel, que interligam cidades da região metropolitana de São Paulo, passaram a usar a tecnologia neste mês de julho de 2026. O método é o mesmo da Renovias, com um policial rodoviário no CCO validando a ocorrência.

Além do celular ao volante e da falta do cinto, a IA flagra veículos trafegando pelo acostamento e caminhões em faixas com restrição. O sistema também classifica os tipos de veículos, detecta pessoas e animais na pista, veículos parados, circulação na contramão, congestionamentos e focos de fogo e fumaça.

O fabricante usou uma base de dados com milhões de imagens e vídeos previamente classificados, abordando diferentes cenários, para desenvolver a tecnologia.

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A confirmação das infrações e a aplicação das multas são feitas pelas autoridades de trânsito. (Imagem: Mihajlo Maricic/Getty Images).

“Com esse treinamento, a inteligência artificial aprende a reconhecer esses padrões com alta precisão e passa a identificá-los automaticamente durante a operação das câmeras”, disse o gerente de tecnologia da SPMar, Thiago Cavalcante, à reportagem.

De acordo com ele, as imagens são compartilhadas com a Polícia Rodoviária Federal em tempo real e armazenadas em ambiente seguro, conforme as determinações da LGPD, por até 30 dias. Depois desse prazo, são sobrescritas automaticamente, exceto as relacionadas a acidentes, investigações ou processos, segundo Cavalcante.

No período de teste, entre 12 de maio e 9 de junho, as câmeras inteligentes detectaram uma média de 168 infrações por dia nos dois trechos do Rodoanel monitorados. Desse total, 49,6% eram motoristas sem cinto, 29,5% passageiros sem cinto e 20,9% de condutores usando o celular.

Rodovia Raposo Tavares

Administrada pelo Grupo EcoRodovias, a Rodovia Raposo Tavares (SP-370) possui duas câmeras com IA instaladas no km 17 e no km 18. De acordo com a empresa, elas usam algoritmos e Deep Learning que monitoram a via em tempo real durante o dia e à noite, registrando veículos independente da velocidade.

Com a tecnologia embarcada no próprio equipamento, não há necessidade de processamento externo para as funções principais, que incluem detectar comportamentos e situações colocando a segurança viária em risco. Não uso do cinto, celular ao volante e pedestres ou ciclistas na pista são algumas delas.

O funcionamento é o mesmo das demais, com a diferença que o equipamento inclui Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR) para a leitura das placas. As imagens ficam à disposição da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar Rodoviária.

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As imagens geradas pelas câmeras com IA ficam disponíveis na CCO da concessionária. (Imagem: EcoRodovias/Divulgação).

Responsável pelo trecho, a Ecovias Raposo Castello afirmou que a IA foi alimentada pela fabricante a partir de modelos e vídeos “previamente coletados, processados e rotulados para fins de análise de comportamento no trânsito”. Já o armazenamento das imagens capturadas é de aproximadamente 45 dias.

A concessionária explicou, ainda, que aplica medidas de segurança da informação, governança de dados e proteção de privacidade da LGPD, com controles de acesso e tratamento adequado. Os equipamentos também trazem criptografia.

Durante o período de ajustes, as câmeras com IA da Rodovia Raposo Tavares registraram média superior a 300 ocorrências por dia, a maioria por falta de cinto de segurança de passageiro (40%), seguida por motoristas sem cinto (30%) e celular ao volante (30%). A tecnologia na via ainda está em período de implementação e as autuações devem começar quando o sistema estiver totalmente integrado com a Polícia Militar Rodoviária.

BR-050, BR-365 e BR-101

Igualmente administradas por concessionárias do Grupo EcoRodovias, essas estradas federais utilizam o mesmo sistema de monitoramento inteligente em implementação da Raposo Tavares. No entanto, elas já estão em funcionamento, compartilhando imagens com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Os agentes da PRF realizam a checagem das imagens após o alarme, fazem a validação e os procedimentos para autuação, como explicou a companhia. Já o armazenamento segue as normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com a retenção durando até 60 dias, seguida pela eliminação das informações.

Nos trechos da Ecovias Minas Goiás (BR-050) e da Ecovias Cerrado (BR-365), em Uberlândia (MG), a tecnologia foi usada em 258 operações da PRF no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro no mesmo período do ano passado. Ao todo, foram identificadas 2.505 irregularidades, um aumento de 10%.

Já na Ecovias Capixaba (BR-101), os equipamentos instalados em Linhares e Serra, ambas no Espírito Santo, identificaram mais de 17 mil infrações durante o mês de abril. A ausência do cinto de segurança dominou os registros, com 94% das irregularidades, enquanto as restantes (6%) foram por celular ao volante, segundo a concessionária.

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A tecnologia detecta infrações cometidas por diferentes tipos de veículos. (Imagem: EcoRodovias/Divulgação).

A EcoRodovias informou que há previsão de ampliar o projeto com a instalação das câmeras inteligentes em pontos críticos administrados por outras cinco concessionárias do grupo. Porém, não forneceu prazos nem maiores detalhes.

Reforçando a importância da tecnologia na segurança das rodovias, algumas das empresas consultadas informaram que utilizam a IA, também, de outras maneiras. Uma das soluções é nos sistemas de monitoramento instalados em veículos da frota que circula nas estradas.

Esses mecanismos inteligentes analisam dados de câmeras e sensores em tempo real, possibilitando identificar sinais de fadiga dos motoristas dessas empresas, distração e mais condutas inseguras. Falta do cinto, excesso de velocidade e frenagens bruscas são outras situações detectadas pela IA.

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Fonte ==> TecMundo

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