Desde a histórica rejeição do nome indicado pelo presidente da República para ocupar o cargo que se encontra vago no STF, a mobilização em prol da indicação de uma mulher negra para compor a corte suprema voltou a ganhar força.
Mais do que justa, a reivindicação encabeçada pelos movimentos sociais negros é necessária e urgente num país em que a maioria da população é feminina (51,5%) e negra (56%), segundo o IBGE. Contudo, desde a criação do Supremo, em 1891, nunca, nunquinha, jamais uma mulher negra ocupou um dos assentos da Corte.
Não por falta de opção —é bom que se diga. A lista de mulheres negras, brasileiras natas, maiores de 35 anos, com reputação ilibada e notório saber jurídico é extensa. Circulam nas redes sociais nomes de profissionais renomadas e aptas a ocupar o cargo.
A título exemplificativo, sem pretensão de esgotar o rol de mulheres habilitadas, cito as desembargadoras Rosimayre Gonçalves e Jaceguara Dantas da Silva; as juízas Adriana Cruz, Flávia Carvalho e Karen Luise Souza; a promotora Lívia Santana; a defensora Lívia Casseres; e as advogadas Edilene Lôbo e Vera Lúcia Araújo.
Mas não importa. A indicação de uma mulher negra para o STF é muito pouco provável. Há poucos dias, o presidente da República —eleito pelo voto dos negros e das mulheres (TSE)— voltou a afirmar que pretende “insistir” na indicação do nome do candidato rejeitado pelo Senado em abril. Ou seja, elas não.
Nessas horas é bom lembrar que temos hoje apenas uma mulher na corte suprema do Brasil, um país que vem batendo recordes de feminicídio e precisa enfrentar temas como violência política de gênero, racismo e desigualdade étnico-racial.
Nomear uma mulher negra para o STF não chega a significar respeito à diversidade, ampliação da representatividade e reparação histórica considerando o dano causado pelos 380 anos de escravização, mas é o mínimo. Porém demanda interesse e disposição para alterar o equilíbrio de forças no poder.
Elas? Não.
Fonte ==> Folha SP


