11 de julho de 2026

Exposição no Compaz Ariano Suassuna reúne desenhos de Consuelo Figueira inspirados na cultura popular nordestina

A exposição “Traços da Memória”, da artista visual recifense Consuelo Figueira, está aberta à visitação desde a última terça (7), na Galeria Pedra do Reino, localizada no Compaz Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro, no Recife. Com entrada gratuita e classificação livre, a mostra pode ser visitada diariamente, das 9h às 17h, até o dia 17 de agosto, apresentando ao público desenhos e objetos artísticos que resgatam personagens, símbolos e narrativas ligadas à cultura popular nordestina.

Em sua segunda exposição individual, Consuelo apresenta 20 quadros, além de peças decorativas e utilitárias produzidas em diferentes suportes, como madeira, barro e papel machê. Utilizando principalmente a caneta como ferramenta de criação, a artista constrói cenas detalhadas, em sua maioria monocromáticas, que dialogam com a estética da gravura popular nordestina e revelam referências afetivas, crenças e elementos presentes no imaginário coletivo da região.

A curadora da exposição, Ana Veloso, destaca que o trabalho de Consuelo estabelece uma relação entre tradição e contemporaneidade, aproximando a arte popular, a estética armorial e novas formas de expressão artística. “Suas obras evocam personagens, símbolos e narrativas que habitam a memória coletiva da região, revelando um universo repleto de afetos, crenças e referências culturais”, afirma.

Terapeuta ocupacional de formação, Consuelo Figueira dedicou mais de três décadas ao atendimento em consultório particular e em hospitais públicos. Após se aposentar, em 2022, passou a investir mais tempo no desenho, atividade que sempre esteve presente em sua trajetória. Ainda na vida profissional, costumava desenhar nos intervalos entre os atendimentos, mas foi com o incentivo da família, dos amigos e da artista Ana Veloso que decidiu compartilhar sua produção artística.

Seus trabalhos, antes restritos ao ambiente doméstico, chegaram ao público por meio da exposição coletiva “Elas Pintam o 7”, que reuniu artistas mulheres pernambucanas e teve edições realizadas no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE) e na Galeria Janete Costa, em 2023 e 2024. A partir dessas experiências, Consuelo ampliou sua atuação no campo das artes visuais e passou a apresentar sua produção em novos espaços.

A escolha da Galeria Pedra do Reino para receber “Traços da Memória” também se relaciona com a trajetória recente da artista no atelier coletivo do Compaz Ariano Suassuna, coordenado por Ana Veloso. Participante das atividades semanais do espaço, Consuelo conta que encontrou no grupo uma oportunidade de troca de conhecimentos e experiências com outras mulheres artistas.

“Entrei para aprender a fazer papel machê, mas acabei me envolvendo em outras oficinas e descobri que eu também tenho algo para ensinar”, relata a artista. A experiência se conecta com sua trajetória como terapeuta ocupacional, quando desenvolvia atividades voltadas ao fortalecimento dos vínculos entre mães e bebês e à criação de objetos utilitários com materiais recicláveis.



Fonte ==> Brasil de Fato

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