21 de julho de 2026

PF intima Jaques Wagner para prestar depoimento sobre suspeita de propina do Banco Master

Defesa de Bolsonaro pede volta de visitas de Flávio e alega que filho é advogado do pai

A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula, para prestar depoimento no início de agosto sobre as suspeitas de recebimento de propina do Banco Master.

A PF quer ouvir as explicações do senador sobre o pedido feito ao ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, para a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões, em Salvador, destinado à sua filha. Os investigadores também devem questioná-lo sobre a tentativa de venda de um terreno em Camaçari por R$ 15,8 milhões, um dia após o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra o parlamentar. A transação foi revelada no sábado (18) pelo Estadão.

A data inicialmente prevista para o depoimento é 7 de agosto, mas a defesa do senador ainda pode solicitar o adiamento ou a dispensa da oitiva. Procurados, os advogados não informaram se Jaques Wagner comparecerá.

Em entrevista concedida após a operação, o senador admitiu ter pedido a Augusto Lima que comprasse o apartamento, mas afirmou que pretendia ressarcir o valor posteriormente e negou ter favorecido o Banco Master em sua atuação no Senado.

Na mesma semana, a PF também deve ouvir outros investigados no inquérito que apura o caso.

O Estadão revelou que Jaques Wagner registrou em cartório, no dia 19 de junho, um dia após a operação de busca e apreensão, a venda de um terreno em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, por R$ 15,8 milhões. A transação foi barrada pelo 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari após o bloqueio de bens determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do processo.

“Em cumprimento ao protocolo nº (…), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner”, registrou o cartório.
A defesa do senador negou irregularidades e afirmou que “a venda do imóvel é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, conforme demonstram os documentos”.

Segundo os advogados, “o acordo previa a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025). A escritura pública foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta”.

Terreno seria usado em empreendimento imobiliário
A área pertence ao senador e está localizada na Região Metropolitana de Salvador. Ela foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, controlador da SAF do Esporte Clube Bahia, em parceria com empresas do setor imobiliário. A previsão é que o terreno integre um empreendimento imobiliário ao lado do novo centro de treinamento do clube.

Questionada sobre a operação, a diretoria de comunicação do Bahia informou que foram adquiridos terrenos de quatro proprietários diferentes na região, seguindo critérios de mercado, e que a área de Jaques Wagner representa 9,6% do total. O clube acrescentou que o bloqueio judicial não deve comprometer a construção do empreendimento.

Já a Lagoons Empreendimentos, empresa compradora do terreno, afirmou que “o processo de aquisição de imóveis foi iniciado em 2024, dando início à compra de terrenos de diferentes proprietários, seguindo critérios técnicos relacionados à implantação do empreendimento”. Segundo a empresa, “o terreno mencionado foi adquirido em maio de 2025 e integra 9,6% da área onde será implantado o empreendimento anexo ao Centro de Treinamento do Esporte Clube Bahia SAF”.

A empresa também destacou que “todas as aquisições seguiram critérios de mercado e foram validadas por consultorias independentes, além de passar por uma due diligence, incluindo a obtenção das certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis, que não apontavam qualquer restrição que impedisse a realização da escritura pública de compra e venda”.

Por fim, acrescentou que “o comprador apenas deu prosseguimento aos trâmites registrais necessários à formalização da transferência do imóvel, iniciada em maio de 2025”.   

Advogados dizem que a restrição de visitas é desproporcional e ‘extrapola os limites da necessidade’ após divulgação de carta. Defesa quer ainda que Primeira Turma analise pedidos caso Alexandre de Moraes não aceite recurso

Folhapress | 07:48 – 21/07/2026



Fonte ==> Gazeta do Povo e Notícias ao Minuto

Leia Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *