28 de abril de 2026

Review: Aphelion mistura ficção científica com Tomb Raider, mas nem sempre dá certo

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Conhecida por muitos como o estúdio responsável por criar Life is Strange, a desenvolvedora francesa Don’t Nod se consolidou ao longo dos anos como uma das mais confiáveis quando o assunto são jogos narrativos. Depois da parceria com a Square Enix, o estúdio passou a explorar projetos cada vez mais variados, e alguns deles me agradaram bastante, como Lost Records e Banishers: Ghost of New Eden. Como alguém que acompanha o trabalho da empresa há anos, sempre fico curioso para ver como eles vão misturar narrativa e mecânicas em seus novos projetos.

Com isso em mente, fiquei genuinamente animado quando vi o trailer de anúncio de Aphelion durante um evento do Xbox. O game surge como mais uma aposta da Don’t Nod em um título narrativo single-player, mas com um detalhe curioso: o projeto foi desenvolvido em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA), visando entregar uma experiência de exploração espacial mais fiel e plausível. 

Em um momento em que missões espaciais voltaram a fascinar o público e a ficção científica vive uma nova fase de popularidade, a ideia parecia promissora. Afinal, acabamos de ver a Missão Artemis, Pragmata está bombando nos games e Devoradores de Estrelas está bombando nos cinemas. 

Depois de cerca de dez horas explorando o planeta Persephone, no entanto, fica a pergunta inevitável: será que Aphelion realmente consegue transformar sua premissa interessante em uma experiência memorável? A resposta passa por uma narrativa competente, momentos de gameplay interessantes e algumas decisões que funcionam melhor no papel do que na prática.

Confira mais detalhes na review a seguir, realizada no Xbox Series X – o jogo também chega ao PC e PS5, com disponibilidade imediata no Game Pass.

Uma missão espacial que mistura sobrevivência, mistério e romance

Com direção de Florent Guillaume, também responsável por Tell Me Why, Aphelion acompanha a história de dois astronautas envolvidos em uma missão que pode mudar o destino da humanidade. Em um futuro próximo, quando a Terra caminha rapidamente para se tornar inabitável, a descoberta do planeta Persephone, nos limites do Sistema Solar, surge como a última esperança para a sobrevivência da nossa espécie.

A missão Hope-01, organizada pela Agência Espacial Europeia, envia dois astronautas experientes para investigar o planeta e verificar se ele pode abrigar vida humana. O jogador assume o controle de Ariane e Thomas, membros dessa missão científica que deveria ser rotineira, mas rapidamente sai do controle quando a nave sofre uma falha catastrófica durante o pouso.

O desastre separa os dois protagonistas logo nos primeiros minutos de jogo. Ariane consegue escapar relativamente ilesa, enquanto Thomas fica gravemente ferido e preso em uma situação delicada, lutando para sobreviver com equipamentos danificados e um tanque de oxigênio comprometido.

A partir desse ponto, Aphelion constrói sua narrativa alternando entre os dois personagens, criando uma jornada paralela de sobrevivência e reencontro. Enquanto Ariane explora o terreno hostil de Persephone em busca de respostas — e de seu parceiro — Thomas precisa usar sua engenhosidade para permanecer vivo enquanto tenta entender o que aconteceu com a missão.

Essa premissa funciona bem para atrair fãs de ficção científica, mas o jogo também aposta em um componente emocional importante. Ariane e Thomas possuem um relacionamento complicado e cheio de sentimentos não resolvidos, que passam a ganhar peso conforme a dupla luta para se reencontrar em um planeta congelado e cheio de mistérios.

A narrativa também esconde alguns segredos sobre o próprio planeta e sobre o destino da humanidade, apresentados por meio de diálogos, registros de áudio e documentos espalhados pelos cenários. Esse formato é típico dos jogos da Don’t Nod, mas também significa que alguns detalhes interessantes podem passar despercebidos por quem não gosta de explorar cada canto do mapa.

No fim das contas, Aphelion conta uma história competente e que mantém a curiosidade do jogador durante boa parte da campanha. Ainda assim, a trama dificilmente entra na lista das narrativas mais marcantes da ficção científica nos videogames, funcionando mais como um bom filme de sessão da tarde — daqueles que divertem enquanto duram, mas não necessariamente ficam na memória por muito tempo.

Gameplay mistura Tomb Raider com walking simulator

De acordo com a própria Don’t Nod, a parceria com a ESA teve como objetivo criar uma experiência de exploração espacial mais realista. Essa proposta se reflete em um gameplay que prioriza exploração, deslocamento e resolução de puzzles em vez de combate direto.

Com cerca de dez horas de campanha, Aphelion entrega uma jogabilidade que lembra uma mistura curiosa entre Tomb Raider e os chamados walking simulators. Não há sistema de combate tradicional, e a maior parte da experiência gira em torno de explorar cenários lineares, resolver quebra-cabeças e avançar pela narrativa.

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Quando estamos no controle de Ariane, o jogo se aproxima mais de aventuras de ação modernas. A astronauta precisa escalar penhascos congelados, atravessar áreas perigosas usando um arpéu e resolver puzzles envolvendo energia e equipamentos científicos, em sequências que lembram bastante franquias como Tomb Raider e Uncharted, mas sem tiros.

Também existem momentos de tensão em que a personagem precisa evitar uma criatura alienígena que patrulha certas áreas do planeta. Essas sequências de furtividade tentam criar um clima semelhante ao de Alien Isolation, embora nem sempre alcancem o mesmo nível de suspense.

Já as partes protagonizadas por Thomas têm um ritmo bem diferente. Gravemente ferido e limitado fisicamente, ele precisa usar lógica e observação para resolver puzzles ambientais e calcular cada passo com cuidado, especialmente por causa do tanque de oxigênio danificado.

Um dos maiores acertos de Aphelion está justamente nessa alternância constante entre os dois estilos de gameplay. Ao longo de onze capítulos, o jogo intercala as perspectivas dos personagens em blocos relativamente curtos, o que ajuda a manter a experiência dinâmica e evita que qualquer uma das abordagens se torne cansativa demais.

Ainda assim, nem tudo funciona perfeitamente. Enquanto algumas sequências de exploração e escalada são bem construídas, os encontros com a criatura alienígena acabam se repetindo mais do que deveriam, e nem sempre são tão interessantes quanto o jogo parece acreditar.

A própria estrutura linear também pesa um pouco na experiência. Como os cenários são relativamente semelhantes entre si, há momentos em que parece que o jogador está apenas caminhando por corredores gelados e vazios — o que, ironicamente, talvez seja uma representação bastante realista de como seria explorar um planeta desconhecido.

Gráficos bonitos, mas com falta de refinamento

Visualmente, Aphelion apresenta um trabalho competente construído na Unreal Engine. O planeta Persephone é retratado com texturas detalhadas, iluminação convincente e paisagens que conseguem transmitir bem a sensação de isolamento e perigo constante.

Captura de tela nº 4

Os cenários congelados ajudam a reforçar a atmosfera da jornada e contribuem para o tom cinematográfico da narrativa, algo que a Don’t Nod claramente buscou ao longo de todo o projeto. Em vários momentos, a exploração do planeta rende imagens bonitas e dignas de ficção científica.

Minha maior decepção nesse aspecto fica para a criatura alienígena que antagoniza a história. Apesar de representar a principal ameaça do jogo, o design do monstro não é particularmente marcante ou assustador, especialmente quando comparado com outros exemplos famosos do gênero.

Captura de tela nº 7

Além disso, alguns detalhes técnicos acabam prejudicando a imersão em certos momentos. Animações de morte, movimentações menos naturais dos personagens e alguns comportamentos estranhos da criatura indicam uma falta de refinamento que chama a atenção durante a campanha.

É possível que parte desses problemas seja corrigida com atualizações após o lançamento, mas alguns deles parecem mais estruturais do que simples bugs. Considerando que a Don’t Nod passou recentemente por processos de reestruturação interna, não seria surpreendente se o desenvolvimento do jogo tivesse enfrentado alguns desafios.

Mesmo assim, no estado atual, Aphelion consegue entregar uma experiência visual competente e alinhada com sua proposta de ficção científica realista. O problema é que a apresentação geral transmite a sensação de um projeto que poderia ter sido mais polido.

Vale a pena?

Aphelion acerta ao apostar em um tema interessante e em uma abordagem relativamente realista da exploração espacial. A combinação entre ficção científica, drama humano e mistério funciona bem o suficiente para manter o jogador curioso durante boa parte da campanha.

O gameplay, que mistura elementos de aventura à la Tomb Raider com momentos mais contemplativos típicos de walking simulators, também tem seus méritos. A alternância entre Ariane e Thomas também cria um bom ritmo narrativo e ajuda a evitar que a experiência fique completamente repetitiva.

Ainda assim, o jogo sofre com problemas de linearidade, alguns momentos de repetição e uma falta de refinamento técnico que impede o projeto de alcançar todo o seu potencial. A história também cumpre seu papel, mas dificilmente será lembrada como uma das grandes narrativas do gênero.

Em suma, Aphelion funciona bem como uma experiência de ficção científica curta e cinematográfica, mas despretensiosa. Para quem já assina o Xbox Game Pass e gosta desse tipo de aventura narrativa, o jogo pode ser uma boa pedida para um fim de semana.

Por outro lado, quem estiver pensando em comprar o jogo separadamente talvez prefira esperar uma boa promoção antes de embarcar nessa missão espacial.

Nota do  Voxel: 70

Pontos positivos (prós):

  • Premissa interessante de ficção científica;
  • Alternância de gameplay entre dois protagonistas funciona bem;
  • Cenários do planeta Persephone são visualmente bonitos e realistas para a proposta.

Pontos negativos (contras):

  • Estrutura muito linear e pouco variada;
  • Sequências com a criatura alienígena são repetitivas;
  • Falta de refinamento técnico em certas animações e mecânicas;
  • História competente, mas pouco memorável.

Aphelion chega hoje, dia 28 de abril, no PC, PS5 e Xbox  Series S e X, com disponibilidade no Xbox Game Pass. Uma cópia para review foi cedida pela desenvolvedora para Xbox Series X.

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Fonte ==> TecMundo

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