28 de abril de 2026

Venda da Serra Verde aos EUA e a disputa com a China

Venda da Serra Verde aos EUA e a disputa com a China

A venda da mineradora brasileira Serra Verde para a americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões acirrou a disputa tecnológica entre Washington e Pequim. A operação, que envolve minerais estratégicos, provocou reações em Brasília e ações no STF devido aos riscos à soberania nacional.

O que são as tais terras raras extraídas pela Serra Verde?

Terras raras são um grupo de 17 minerais essenciais para fabricar produtos de alta tecnologia. Sem eles, não existem motores de carros elétricos, drones, turbinas de energia eólica nem equipamentos militares avançados. A Serra Verde, em Goiás, é a única mineradora fora da Ásia que produz esses elementos em escala comercial, o que a torna uma joia valiosa no mercado mundial.

Como os Estados Unidos participaram desse negócio no Brasil?

O governo americano não ficou apenas assistindo. Através de uma agência de fomento, a DFC, Washington injetou US$ 565 milhões na operação. Isso faz parte de uma estratégia maior para criar estoques de segurança e reduzir a dependência da China, que hoje domina quase todo o refino mundial desses minerais. É uma jogada de segurança energética e militar dos EUA usando ativos brasileiros.

Por que o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal?

O partido Rede Sustentabilidade entrou com uma ação no STF para tentar barrar a venda. O argumento é que entregar o controle de minerais tão estratégicos para uma empresa estrangeira fere a soberania nacional e o desenvolvimento econômico do Brasil. Outros deputados também acionaram a PGR para investigar se os órgãos reguladores brasileiros avaliaram corretamente o impacto público dessa transferência de controle.

Quais os riscos para o Brasil ao vender essa mineradora?

Especialistas alertam para a ‘periferização’ do país. O medo é que o Brasil se torne apenas um exportador de terra e minério bruto, enquanto o processamento rico e a tecnologia fiquem fora daqui. Sem contrapartidas que obriguem o refino e a metalurgia em solo brasileiro, perdemos a chance de dominar etapas sofisticadas da produção e ficamos sem autonomia para definir preços no futuro.

Qual é o posicionamento do governo federal sobre o assunto?

Apesar de o presidente Lula ter afirmado que ‘ninguém será dono da nossa riqueza mineral’, o governo recuou da ideia de criar uma estatal (a Terrabras) para centralizar esse setor. O foco agora será um conselho ligado à Presidência para assessorar questões geopolíticas. Essa mudança gerou críticas internas na base do governo, que defende um controle estatal mais rígido sobre esses ativos.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

VEJA TAMBÉM:

  • Venda de mina brasileira acirra disputa entre EUA e China e chega ao STF



Fonte ==> Gazeta

Leia Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *