Afinamento, queda e as primeiras entradas costumam aparecer nessa fase da vida. Cada vez mais, é o barbeiro quem orienta o cliente sobre como cuidar dos fios e da barba antes que o problema avance.
Consultoria antes do corte: para Eduardo Santos, entender o cliente é parte do serviço.
Existe um momento na vida de muitos homens em que o cabelo deixa de ser algo garantido. Por volta dos 30 anos, o fio que sempre respondeu bem à máquina começa a afinar, a queda aumenta e as primeiras entradas aparecem no espelho. Em alguns casos, o couro cabeludo também muda de comportamento e fica mais sensível ou mais oleoso do que era na casa dos 20.
Nada disso é anormal. A partir dessa idade, alterações hormonais, herança genética e o próprio estilo de vida passam a pesar mais na saúde capilar. O ponto de atenção, segundo profissionais da área, não está na mudança em si, e sim na falta de cuidado enquanto ela avança. Sem acompanhamento, um processo que seria gradual costuma acelerar.
É nesse cenário que a figura do barbeiro ganhou uma função que vai além de aparar o cabelo. Quem atende na cadeira passou a assumir também o papel de orientar o cliente sobre o que fazer entre uma visita e outra.
“Antes de começar qualquer corte, eu converso com o cliente. Faço uma consultoria ali na cadeira, entendo o que ele quer e aproveito para falar dos cuidados com o cabelo e com a barba, para evitar problema lá na frente”, conta Eduardo Santos, barbeiro e visagista da Habitus Barbearia, em Taubaté, com mais de 15 anos de profissão. Para ele, sair da cadeira com um bom corte é só metade do serviço. A outra metade é o cliente sair sabendo como manter aquele resultado em casa.

Eduardo Santos
Eduardo Santos atua há mais de 15 anos como barbeiro e visagista.
Foi essa forma de trabalhar que aproximou Eduardo do visagismo, técnica que orienta o corte a partir da leitura de quem está sentado à frente do profissional. Em vez de aplicar um modelo pronto, ele observa traços, estilo, personalidade e aquilo que a pessoa quer transmitir com a própria imagem. “Corte de cabelo, para mim, vai muito além de máquina, tesoura e acabamento. É preciso observar, ouvir e entender quem está na cadeira”, diz.
O interesse pela barbearia nasceu há mais de 15 anos, quase por curiosidade, e foi virando ofício. Ao longo do tempo, Eduardo diz ter se dedicado a estudar e a apurar a técnica até chegar ao que descreve como o centro do seu trabalho: valorizar a individualidade de cada cliente através da imagem.
Para o homem que cruza os 30 e começa a notar os fios diferentes, o recado é direto. Quanto antes o cuidado entra na rotina, mais fôlego se ganha para lidar com o que a genética e o tempo trazem. E, com frequência, a conversa que resolve começa na própria cadeira da barbearia, antes mesmo de a máquina ligar.
O trabalho de Eduardo Santos pode ser acompanhado no Instagram @eduardo_visagista e na Habitus Barbearia, em Taubaté – SP.


